NOTA DE REPÚDIO A CRUELDADE CONTRA O CÃO ORELHA

Recebemos com profunda tristeza e indignação a notícia da violência cometida contra o cão Orelha. Nada do que se diga pode desviar o essencial: houve responsabilidade humana direta, e os jovens envolvidos devem responder por seus atos.

Ao mesmo tempo, é importante nomear o contexto mais amplo que torna casos como esse possíveis: vivemos em uma sociedade marcada pelo especismo — uma opressão que naturaliza a inferiorização dos animais e transforma suas vidas em objetos para diversos fins humanos. A violência contra o Orelha não é um fato isolado, mas expressão dessa cultura que rebaixa a animalidade.

Esse rebaixamento atinge não apenas os animais não humanos. Historicamente, tudo o que é associado ao “animal” — corpos, instintos, vulnerabilidades — é tratado como menor, atrasado ou sacrificável. É essa lógica que sustenta múltiplas violências a grupos humanos oprimidos (por questão de raça, gênero, sexualidade etc.) e também aos animais não humanos.

Também não concordamos com leituras espíritas que apresentem o sofrimento animal como “sacrifício pedagógico” para a evolução humana. Nenhum ser deve existir para servir de instrumento moral para outro. Transformar a dor de um animal em lição para humanos apenas reforça o antropocentrismo que precisamos superar.

Afirmamos: os animais são sujeitos de suas próprias vidas, seres sencientes, com interesses, vínculos, medos e desejos. Suas existências têm valor em si mesmas, não como meios para nós. E, como todos os seres, também são amparados pela espiritualidade e merecedores de cuidado, justiça e compaixão.

Orelha não era apenas um cachorro, um animal, uma espécie.

Era alguém. Um indivíduo. Uma vida única.

Honramos sua memória reafirmando nosso compromisso com a superação do especismo e com a construção de um mundo em que nenhuma vida animal seja tratada como inferior.

Por Orelha. Pela Animalidade. Pela dignidade de todos.

MOVE – Movimento pela Ética Animal Espírita

MEP – Movimento Espírita Progressista