Card #09: “Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais”

Que tal incluir o vegetarianismo nas suas metas para 2020?

Alguns pensam que o vegetarianismo não é assunto do Espiritismo ou que se trata de algo para o futuro. Todavia, isso não é verdade, os espíritos não entendem desta forma.

No nosso “Catálogo de Referências Bibliográficas da Ética Animal Espírita” compilamos mais de cem citações de mais de cem livros espíritas clássicos, onde variados espíritos pediram engajamento dos homens na proteção e defesa dos animais e na renovação de hábitos alimentares para uma dieta vegetariana. [1]

O Consolador Prometido, obviamente, é para todas as espécies, não exclusivo à humana, contribuindo para a superação do antropocentrismo e do especismo e inserindo o Espiritismo no campo das modernas filosofias de libertação animal que buscam incluir os animais e ecossistemas nas considerações morais humanas.

Há, notadamente, uma Ética Animal Espírita, ditada pelos Imortais.

Nesse passo, o esforço conjunto pela libertação dos animais (pela alimentação e outros meios) nos espaços espíritas é uma consequência moral da Doutrina Espírita, sendo um importante passo para devolvermos aos animais e ecossistemas os direitos que lhe foram suprimidos pela humanidade.

Nos disse Emmanuel: “A ingestão das vísceras dos animais é um ERRO DE ENORMES CONSEQUÊNCIAS, do qual derivaram numerosos VÍCIOS da nutrição humana. É de LASTIMAR semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem VEGETAL, SEM A NECESSIDADE ABSOLUTA dos matadouros e frigoríficos.” [2]

A transição para uma dieta vegetariana contribui para minimizar estas “lastimáveis” e “enormes consequências”, que são de várias ordens: evolutivas, ambientais, sociopolíticas e etc.

O instrutor Alexandre, na mesma linha de Emmanuel, afirmou que o consumo de animais para a obtenção de proteínas se trata de um pretexto, ou seja, uma desculpa para encobrir a verdade: “A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Sugávamos os tecidos musculares, roíamos os ossos. Não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatávamos os requintes da exploração milenária…” [3]

É pregação comum nos espaços espíritas a necessidade do perdão, da caridade, da resignação, da paciência, da indulgência, da retribuição do mal com o bem e etc, e assim temos conseguido grandes avanços nos dois planos de existência. Já imaginou, então, se passarmos também a pedir proteção, defesa e amor aos animais? Quanto sofrimento dos nossos irmãos menores pouparíamos? Quanta violência evitaríamos? Quanto ajudaríamos a psicosfera do planeta?

Somos aproximadamente 13.000 Casas Espíritas e 13 milhões de Espíritas. Podemos contribuir demais para mudar o cenário que dizima em torno de 70 bilhões de animais terrestres anualmente para o consumo humano. [4]

O benfeitor André Luiz recomendou ao movimento espírita “Apoiar, quanto possível, os movimentos e as organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão.” [5]

Assim como Joanna de Ângelis, Neio Lúcio, Casimiro Cunha, Cairbar Schutel, Aniceto e outros tantos benfeitores advogaram pela causa animal.

Na continuação do trecho deste post, Humberto de Campos, chegou a nos comparar a canibais, “…O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.” [6]

Precisamos, portanto, nos alinhar enquanto Movimento Espírita a mensagem dos Espíritos, passando a pregar as sublimes máximas “fora da caridade não há salvação”, “amai ao próximo” e “lei de justiça, amor e caridade” por exemplo também aos animais e toda a Natureza.

O Movimento Espírita tem um imenso potencial para realizar esta empreitada. E como vimos, tal mister é um postulado do Espiritismo.

Concluindo, disse o benfeitor Aniceto: “Auxiliemo-lo a amar a terra, antes de explorá-la no sentido inferior, a valer-se da cooperação dos animais, sem os recursos do extermínio!” [7]

Irmãs e irmãos, ouçamos as recomendações dos benfeitores, entrelacemos as mãos e auxiliemos uns aos outros na renovação gradativa de hábitos próprios e nos espaços espíritas, assumindo nosso sagrado dever de zelosos irmãos mais velhos dos animais.

Referências:

[1] http://bit.ly/catálogodereferênciasmove

[2] XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.1. “Aprendizado”, questão 129, pp. 90-91.

[3] XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 382 p. Capítulo 4 “Vampirismo”, pp. 42-46, pelo benfeitor Alexandre.

[4] FAO/ONU http://www.fao.org/docrep/018/i3437e/i3437e.pdf

[5] VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante os animais”, pp. 89-90.

[6] XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Cartas e Crônicas. 14 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 167 p. Capítulo 4 “Treino para a morte”, pp. 18.

[7] XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Os Mensageiros. 45 ed. Brasília: FEB, 2015, cap. 45.
ed. Brasília: FEB, 2015, cap. 45.

0 respostas

Deixe uma resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *