Artigo #23: Ética da Generosidade

Por Breno Arantes, membro do MOVE.

“A ética da generosidade centraliza suas atenções na lei natural ou de amor, que respeita a vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.” [1]

No Espiritismo é bem verdade que não recitamos ou entoamos mantras como o fazem, lindamente, nossos irmãos das tradições espirituais do Oriente. Porém, se um houvesse que fosse repetido à exaustão por nós seguidores da doutrina, seria: “Fora da Caridade não há salvação. Não há salvação fora da caridade.”

Vejamos o que o apóstolo Paulo nos disse no Evangelho Segundo o Espiritismo a respeito:

“Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina.” [2]

Podemos desta maneira falar de uma ética da caridade ou, para utilizar a expressão cunhada por Joanna de Ângelis, ética da generosidade, a qual deverá então ser perseguida e internalizada por todo aquele que almeja o Reino de Deus.

Esta ética, também seguindo o valioso ensinamento da benfeitora Joanna, está fundamentada na lei natural ou de amor; Lei máxima de nosso Pai, que, pura Fonte do Amor, resplandece em nós quanto mais sintonizados com o amor manifestado estivermos.

Quando, portanto, praticamos a ética da generosidade e servimos de instrumento para canalizar o Amor do Pai por toda Sua Criação, agimos da maneira mais ética que Ele poderia esperar de nós.

Isto se coaduna com outra belíssima passagem dos ensinamentos de Joanna:

“Se desejas, todavia, compreender melhor a necessidade de amar a Deus, acompanha o desabrochar de uma rosa, devolvendo perfume à vida o que extrai do solo em húmus e adubo… Fita uma criança, detém-te num ancião… Ama, portanto, pelo caminho quanto possas, plantas, animais, homens, e te descobrirás, por fim, superiormente amando a Deus.” [3]

Desta feita, ao praticarmos a ética da generosidade, faz-se mister buscar desenvolver o amor incondicional, não escolhendo a quem estender amor, da mesma maneira espontânea e natural que uma criancinha o faz ao abrir largo sorriso em resposta ao sorriso de outra criança que ela vê pela primeira vez, sem julgar quem seja. A inocência e o amor sem barreiras de uma criança é modelo a seguirmos como bem nos ensinou o Mestre Maior:

“Deixem vir a mim as criancinhas e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas.” [4]

Para entendermos a ética da generosidade em movimento, gostaríamos de refletir sobre alguns exemplos práticos de sua aplicação em nossa vida cotidiana.

Ficamos sabendo de uma amiga que, por temporariamente ter perdido o emprego, está enfrentando dificuldades em arcar com despesas de moradia e alimentação de sua família. Movidos pelas obrigações dessa ética de caridade que escolhemos praticar, o que esperamos de nós mesmos nesta situação? Ou ainda, lemos que uma tal marca de roupas, da qual já adquirimos algum item de vestuário, tem utilizado mão de obra mantida em condições degradantes em escravidão-moderna. Qual passa então a ser a única opção a ser seguida por alguém buscando viver em conformidade com uma ética da generosidade?

E quando chega a nós informação que uma outra empresa é cúmplice de violência contra cãezinhos abandonados que sempre famintos e carentes buscam muitas vezes comida em estabelecimentos alimentícios, como foi o caso notório da cadelinha Manchinha, irracionalmente morta a pauladas por funcionário de uma grande rede de supermercados no país? A resposta de grande número de pessoas, inconformadas com a violência impiedosa, foi a de organizar protestos e boicotes que forçaram a célere resposta da empresa no sentido de se comprometer inclusive com o amparo a outros cãezinhos abandonados.

Este exemplo em particular, de mobilização pela dor de um cãozinho abandonado, espelha muito bem o comportamento de pessoas comprometidas com a ética da generosidade. Quantos há que não medem esforços e recursos financeiros – conheço pessoalmente muitos deles, almas repletas de empatia – para resgatar e cuidar de animaizinhos doentes, abandonados e maltratados? O fazem muitas vezes sem nem pensar nos desafios que advirão dos gastos com cuidados veterinários imediatos, abrigo, alimentação, e tampouco nos riscos a sua saúde ao pular muros, correr atrás de gatinhos vivendo na rua, etc. A ética da generosidade pulsa forte nessas nossas irmãs e irmãos atuantes na proteção animal. Levam a generosidade a irmãozinhos que boa parte da sociedade ainda não vê como dignos de recebê-la. (Que Deus os proteja hoje e sempre)

Perguntados por que fazem o que fazem, respondem simplesmente que lhes é natural estender amparo a quem sofre. Não raro, no entanto, ainda sofrem críticas de quem os questiona do porquê não correm ao amparo de criancinhas ou idosos humanos, que em grande número também carecem de recursos, ao invés de os despender com animais (não humanos).

Por experiência própria na convivência com essas almas abnegadas, posso atestar que fazem muito por nossos irmãos humanos também, mas quem critica não se atenta para uma característica essencial da ética da generosidade, qual seja, suas diversas manifestações não competem ou anulam umas às outras. Muito pelo contrário! Toda ação de amor advinda da generosidade a quem quer que seja – planta, animal, homem – ao aumentar a quantidade de amor manifestado neste mundo, nos conecta com o Divino Amor em nós. Essa conexão nos preenche então de ainda mais amor e nos capacita para distribuir mais também, ou seja, trata-se de um mecanismo Divino de retro-alimentação ad-infinitum, que nunca se exaure, mas se fortalece, contrariando a lógica humana que, em sua pequenez, imagina que o Amor é algo limitado e finito e deve ser, portanto, utilizado com parcimônia.

A verdade é que todos os seres são beneficiados mesmo os que não são os destinatários diretos da manifestação de amor específica. É um ganha-ganha que tudo vivifica ao movimentar as engrenagens da vida em nosso mundo, como bem colocou Joanna no livro Leis Morais da Vida:

“Na vida, sob qualquer expressão, está manifesto o amor. Mediante o amor animam-se as forças atuantes e produtivas da Natureza, no mineral, no vegetal, no animal, no homem e no anjo.” [5]

Retomando os exemplos práticos que havíamos iniciado mais acima, chegamos ao ponto que inicialmente gostaríamos de abordar: Como reagirmos, dentro da ética da generosidade, a informações de tantos maus tratos e de tanta violência que causam imensa dor e sofrimento a trilhões de seres sencientes – autoconscientes e capazes de expressar emoções complexas – nas práticas padrão da indústria animal?

É fundamental trazer à luz isso que, não temos dúvidas, tem nos impedido enormemente de praticar a Ética da Generosidade em maior grau: a crueldade existente na exploração e comercialização de nossos irmãos animais. Como dissemos, trata-se de trilhões de vidas sencientes, já com consciências desenvolvidas e capazes de gerar psicosferas individuais, as quais contribuem para a Psicosfera do planeta como um todo, e que têm sido impiedosamente destruídas, prematura e desnecessariamente, contra o que nos alertaram os espíritos nas respostas às questões 729 e 734 do L.E.:

729. Se a regeneração dos seres faz necessária a destruição, por que os cerca a Natureza de meios de preservação e conservação? A fim de que a destruição não se dê antes de tempo. Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente. Por isso foi que Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir.

734. Em seu estado atual, tem o homem direito ilimitado de destruição sobre os animais? Tal direito se acha regulado pela necessidade, que ele tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constitui direito. 

Essa imensa matança é reflexo de completo desamor. (Em breve publicaremos artigo, As Práticas Padrão da Indústria Animal, onde isso ficará bastante claro para os leigos na questão). E esse desamor é, reforçamos, a antítese do que busca vivenciar a Ética da Generosidade que procuramos descrever ao longo deste artigo.

Imaginemos que contribuição temos indiretamente oferecido à Psicosfera do planeta a partir de tanta miséria e terror causados a esses seres sencientes. Quantos miasmas advindos de dor e sofrimento têm sido emanados e condensados ao redor de nosso mundo. É neste sentido que diversos instrutores não se cansam de nos alertar para o erro de enormes consequências (Emmanuel [6]) que temos cometido ao manter a indústria da morte operando (Alexandre [7]) e com cada vez maior capacidade de destruição de tantas vidas animais.

Como ocorrerá a grande transição que nosso mundo haverá de experimentar, de Provas e Expiações para Mundo de Regeneração, tão aguardada por nós espíritas, com Psicosfera tão carregada de dor e sofrimento?

Vejamos como Manoel Philomeno de Miranda nos alertou para o imperativo de preenchermos nosso mundo de mais amor e compaixão a fim de suavizar os dolorosos cataclismos que virão segundo o Mestre Jesus [8]:

“Se as mentes humanas, em vez do cultivo do egoísmo, da insensatez, da perversidade, emitirem ondas de bondade e de compaixão, de amor e de misericórdia, certamente alterar-se-ão os fenômenos programados para a grande mudança que já se vem operando.”

“O amor de Nosso Pai e a ternura de Jesus para com o Seu rebanho diminuirão a gravidade dos acontecimentos, mediante também a compaixão e a misericórdia, embora a severidade da lei de progresso.” [9]

 

Ou seja, toda dose de amor-generosidade que pudermos contribuir nos servirá como espécie de crédito Divino para alívio de nós mesmos em futuro breve.

Neste sentido, como já colocamos, a dor e sofrimento que temos imposto a nossos irmãos menores nos rouba muito crédito certamente.

Se uma e apenas uma regra fosse implantada a fim de guiar as práticas da indústria animal, pensamos que a mesma teria fim imediato: se a regra fosse a prática irrestrita da Ética da Generosidade dentro dessa indústria, as máquinas mortíferas então haveriam de parar repentinamente, os caminhões de transporte abarrotados de animais, muitas vezes empilhados uns sobre os outros, não mais sairiam das garagens; os galpões lotados com milhares de aves vivendo sob luz artificial ligada por até 18 horas diárias, para acelerar seu crescimento, amanheceriam vazios; as gaiolas de gestação de mães porcas, tão estreitas que não permitem que elas se virem, não mais veriam esses sensíveis e inteligentes animais roendo suas grades por estresse extremo as levando à beira da insanidade; as gaiolas verticais minúsculas com galinhas poedeiras de bicos cortados a lâmina quente, verdadeiros campos de concentração desses seres inocentes, silenciariam por fim; os trituradores de pintinhos macho, descartados na indústria do ovo logo após o nascimento, parariam de moer seres vivos indefesos; os boxes de contenção de animais nos matadouros, para insensibilização por pistola de dardo cativo em suas testas, restariam vazios; os ganchos onde milhares de aves são penduradas pelos pés, de cabeça para baixo, em direção à degola se movimentariam então sem testemunhar o frenético bater de asas de seres aterrorizados; os gritos, em forma de grunhidos, mugidos, cacarejos, o sangue jorrando sem parar, nesse momento enfim cessariam.

Pois não há qualquer possibilidade de prática de generosidade real nessa ignominiosa exploração, tortura e morte do outro. Reforçamos que não existe amor na (indústria da) morte; ao contrário, o desamor impera e é insuperável obstáculo a nos afastar do reencontro com nosso Pai.

Ora, resta portanto claro e evidente que falar de Ética Animal é falar de Ética da Generosidade. Adiar essa discussão, como têm insistido muitos de nossos irmãos espíritas, é deixar essa chaga aberta em nossa humanidade que nos drena as forças rumo à evolução que tanto buscamos, como procuramos demonstrar acima.

Outra característica basilar da Ética da Generosidade é a necessidade da busca de praticá-la por inteiro. Quando não praticada em sua plenitude, quando mantida em “cerquinhas”, como ilustrou a filósofa Lúcia Helena Galvão, corremos grave risco de vê-la ameaçada em sua totalidade. Vejamos o que a professora colocou:

“Não acredito em fraternidade ou amor ‘de cerquinha’, ou seja, tudo o que está dentro de uma determinada fronteira artificial que eu criei, minha compaixão funciona. A partir dessa fronteira, não funciona mais. Nosso coração quando se manifesta é incondicional, é sensível a qualquer dor que cruze seu caminho ou não é sensível a dor nenhuma e trata-se apenas de uma convenção para ‘ficar bem na fita’. A partir do momento que eu cruzo com a dor de um animal ou até mesmo de uma floresta que está sendo destruída e isso não me dói em nada é sinal que eu tenho em mim uma reserva para a crueldade, em certas circunstâncias eu admito ser insensível e cruel. Quando deixamos o inimigo morar dentro de nossa casa, a crueldade, a indiferença à dor alheia, em alguma situação que perturbe nossa normalidade, essa insensibilidade vai tomar posse da direção de nossa vida. Não servirás a dois senhores ao mesmo tempo. Ou temos compaixão para a vida como um todo ou não temos compaixão.” [10]

Lúcia Helena certamente tinha em mente a generosidade arquetípica, idealizada, em seu grau máximo; uma plenitude de amor, compaixão e generosidade imorredouras que só podem ser alcançadas quando não deixam mais espaço para a mínima falta; quando findam todos os separatismos alimentados por nosso egoísmo. Trazendo essa experimentação filosófica para o plano da ação concreta, entendemos, então, que nossos irmãos animais de todas as espécies, vítimas de nossa violência e caridade segregadas, são nossos credores de máximos cuidados se quisermos garantir a eternidade do amor em nós.

E, indo mais além, nos permitam falar também aos que já lograram incluir os animais em seu círculo de compaixão e que, por vezes, por terem a exata noção da crueldade existente contra essas criaturas inocentes e indefesas, acabam por alimentar ressentimento, mágoa e rancor por nossos irmãos humanos ainda autores ou partícipes desse ciclo de violência e desamor. Assim como muitos de nós até há pouco, esses irmãos humanos também necessitam de nossa compaixão se quisermos, de fato, assegurar a plenitude da generosidade em nós.

Em especial, aqueles mais tomados pela violência precisam ser vistos tão somente como irmãozinhos nossos ainda desconhecedores da ética da generosidade em sua plenitude. Encontram-se carentes de amor em sua dimensão do dar, mas também muito mais na dimensão do receber, pois não há aquele que tendo recebido tanto amor capaz de preencher todas suas faltas e ausências, que não seja capaz de retribuir aquilo de que esteja pleno.

Mais uma vez, recorramos a Joanna de Ângelis para colocar luz nesta questão:

“Não há ninguém que não possua bondade interior. Há, nos refolhos da alma, a presença de Deus como luz coagulada, aguardando os estímulos de fora a fim de brilhar com alta potência.

Pessoas agressivas, que se comprazem em atormentar, produzindo sofrimentos, são portadoras de muitas dores íntimas, que buscam disfarçar sob a máscara da violência, da falsa superioridade, da alucinação.

Mesmo os animais selvagens, sob domesticação, tornam-se amigos, e recebendo a vibração do amor alteram a constituição do instinto agressivo, mudando de comportamento, o que atesta a presença do psiquismo divino em germe, em tudo e todos.

Trata-se de uma conquista de sabedoria poder penetrar na bondade latente dos seres…Da experiência de identificar a bondade nos seres em geral vem a extraordinária conquista de descobrir a presença de Deus em toda parte…” [11]

Em conclusão, para garantirmos a implantação duradoura da Ética da Generosidade, em nossas vidas e em nosso mundo, devemos nos esforçar para praticá-la incondicionalmente, sob risco de comprometê-la da mesma forma que um navio é comprometido gravemente por fissuras em seu casco. Na primeira grande tormenta que submete sua estrutura a tensões e pressões de cisalhamento, a mesma se rompe levando o antes imponente navio a naufrágio calamitoso.

Não servirás a dois senhores ao mesmo tempo” [12], como bem lembrou a filósofa. Ou seja, ou servimos ao amor ou a sua antítese, o desamor.

Enfim, para arrematar o raciocínio incialmente esboçado no título do artigo, reforçamos que: a Ética Animal é nada menos que um dos aspectos da Ética da Generosidade. A primeira está contida na segunda e é parte integrante desta sem que as possamos separar, sob pena de graves comprometimentos como procuramos esclarecer acima.

O praticante disposto a vivenciar a Ética da Generosidade que escolhe não incorporar a Ética Animal coloca inescapavelmente em risco não só a felicidade de seus irmãozinhos animais não humanos, mas sua própria felicidade ao se afastar da base de sua Ética que é a lei natural ou a lei de amor, como nos ensinou Joanna na citação do início do artigo e como também reforçaram os instrutores espirituais:

“A lei natural [ou a lei de amor] é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.” [13]

Assim, que possamos nos esforçar, no máximo de nossas capacidades, em praticar a Ética Divina do Amor, incorporando a prática da Ética da Generosidade e da Ética Animal.

Que possamos oferecer nossa contribuição para aquilo que reza o Divino mantra Oriental:

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu.

Que todos os seres, em toda parte, sejam felizes e estejam libertos de dor e sofrimento. E que nossos pensamentos, palavras e ações possam contribuir de alguma maneira com a felicidade e liberdade de todos.

Numa esquematização final que busque facilitar o entendimento último da interdependência entre as Éticas aqui expostas, temos:

ÉTICA DIVINA > ÉTICA DA GENEROSIDADE > ÉTICA ANIMAL

Ou ainda graficamente:

PS: Sobre o grave impacto em nossa Psicosfera vejamos o que disse a espiritualista Annie Besant:

“Agora, tomando isso – que é apenas uma ilustração, para mostrar o que quero dizer com essa matéria astral (obs: que compõe a psicosfera) e a maneira como ela é lançada em vibração por correntes magnéticas – pense na matéria astral por um momento…como interpenetrante e cercando nosso mundo; depois leve seus pensamentos para um matadouro. Tente estimar, se puder, pela imaginação – se você não tiver sido suficientemente infeliz para vê-lo na realidade – algo das paixões e emoções que são despertadas, não, no momento, no homem que está matando. Eu vou tratar disto posteriormente – mas nos animais que estão sendo mortos! Perceba o terror que os atinge quando eles sentem o odor do sangue! Veja a angústia, o susto e o horror com que eles lutam para se afastar, da rejeição ao que estão sendo levados! Siga-os, se tiver coragem de fazê-lo, direto para o matadouro, e veja-os como eles estão sendo mortos, e então deixe sua imaginação ir um passo além, ou, se você tiver o poder sutil de sentir vibrações astrais, olhe e lembre-se do que vê: imagens de terror, de medo, de horror, quando a vida é subitamente arrancada do corpo, e a alma animal com seu terror, com seu horror, sai para o mundo astral…E lembre-se de que, onde quer que esse abate de animais ocorra, você estará concentrado em todas essas paixões de horror e terror, e que isso afeta o mundo material, que afeta as mentes dos homens e, quem quer que seja sensível, entrando na vizinhança de tal lugar, vê e sente essas terríveis vibrações, sofre sob elas e sabe de onde elas são.”

“[Portanto] Eu digo que você não tem o direito de infligí-lo, que você não tem o direito de ser parte disto, que toda essa dor age como um registro contra a humanidade e afrouxa e retarda o todo do crescimento humano “
“O tormento que você causa é, por assim dizer, o lodo que se agarra aos seus pés quando você tenta subir; porque nós temos que nos erguer juntos ou cair juntos, e toda a miséria que nós infligimos aos seres sencientes atrasamos nossa evolução humana e tornamos o progresso da humanidade mais lento em direção ao ideal que ela está procurando realizar.” [14]

Referências:

[1] FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Plenitude.13° ed. Salvador, BA: Livr. Espirita Alvorada, 2002. Capítulo VI “Altruísmo” pg 141-142.

[2] KARDEC, A. Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo XV – Fora da Caridade Não Há Salvação.

[3] FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Leis Morais da Vida. Parte II, Capítulo 1 “Amar a Deus”.

[4] BÍBLIA. MATEUS 19:14.

[5] FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Leis Morais da Vida. Parte II, Capítulo 1 “Amar a Deus”.

[6] XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.1. “Aprendizado”, questão 129, pp. 90-91

[7] XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 382 p. Capítulo 4 “Vampirismo”, pp. 42-46.

[8] XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Há dois mil anos. 4 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2009. 432 p. Segunda Parte. Capítulo VI “Alvoradas do Reino do Senhor” pg 354.

[9] FRANCO, D. P, MANOEL P. MIRANDA (Espírito). Amanhecer de uma Nova Era. 2 ed. Leal, 2012. 124p. Capítulo 16 “Durante a Grande Transição Planetária” pg 105-106

[10] MAYA, GALVÃO LUCIA HELENA. Palestra “O Respeito aos animais como indicador de bondade” https://youtu.be/8DxeLvlGk6Q

[11] FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Plenitude.13° ed. Salvador, BA: Livr. Espirita Alvorada, 2002. Capítulo V “Caminhos para a Cessação do Sofrimento” pg 103-105

[12] BÍBLIA. MATEUS 6:24.

[13]KARDEC, A. LIVRO DOS ESPÍRITOS. FEB. Questão 614.

[14] BESANT, A. Discurso proferido em Manchester, Inglaterra, em 1987.

1 responder
  1. Sandra
    Sandra says:

    Tão natural quanto respirar, deveria a generosidade se estender à toda a natureza, fauna e flora porque somos raízes e frondes, somos água dos rios, somos sol, vento, chuva e neve, somos parte, não pedaços de um todo. Conservar florestas e amá-las deveria ser parte de nosso ego e nossa religião deveria ser, mas não é, cultuar estrelas e luas, como índios tão sabiamente o fazem. Quem sabe por conta de denominações religiosas, desnecessárias muitas vezes, somo impelidos para este ou aquele grupo nem sempre condizente com o que respiramos e absorvemos da vida integral, esse estado Zen que nos permite ser livres para exercer a compaixão indiscriminada por todos os seres vivos, até mesmo uma “simples” formiga ou um “simples” gafanhoto. Vinculados a este ou aquele grupo religioso, por nos afinizarmos com suas prédicas e elucidações, algumas vezes descobrimos, decepcionados e tristes, que em alguns pontos discordantes não estamos concordes, nem podemos, por mais nos queiram convencer do contrário. A compaixão animal é um desses pontos; a generosidade para com todos os seres da Natureza deveria ser tão inequívoca quanto as bem aventuranças e a prece de Francisco de Assis, por exemplo, ou somente nossa própria consciência,quando se recusa a aceitar como alimento, os pedaços de algum ser que foi inteiro, antes de ser despedaçado para a nutrição humana. Por mais importante seja a crença em Deus e Suas Santas Leis, ela se mostra dispensável para os ateus veganos que protegem os animais e se engajam em campanhas em prol de sua libertação, por amor, generosidade, espírito fraterno, fiéis às normativas do próprio coração puro, vinculado ao direito à vida de todos os seres. Ateus veganos são a prova indiscutível de que Deus está com eles, embora eles não saibam, protegendo-os quando, por amor, se jogam nas águas frias de um rio para salvar um “simples” cão, enquanto renomados espíritas, no aconchego do seu lar doce lar, se reúnem com a família para degustar um animal que não foi salvo porque ninguém foi generoso nem usou de caridade para com ele.

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