Card #69 – “Não se deve matar em circunstância alguma e se faz indispensável a vigilância sobre os nossos impulsos de oprimir os seres inferiores da Natureza”

O que nos leva a oprimir os seres não-humanos?

O mandamento “não matarás” se aplica aos animais?

As obras espíritas ressaltam que os diversos males que afligem a Terra têm como causa principal o egoísmo e o orgulho, e que todos os esforços devem se concentrar em sublimar estas más inclinações.

Do egoísmo, deriva o pensar em si em primeiro lugar. Do orgulho, que somos superiores aos outros. Ambos estão na raiz da grave crise socioambiental sem precedentes ora vivenciada.

Allan Kardec, perguntou aos espíritos:

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? “Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.” [1]

Como cumprir a Lei de Deus, de Justiça, Amor e Caridade, dizimando os animais e os ecossistemas?

Que tipo de Justiça aprisiona um ser inocente, contra a sua vontade, tira-lhe o direito de convívio com os seus, explora e encurta substancialmente o tempo de sua vida, condenando-o apenas por ter nascido em uma outra espécie, a fim de que alguém se deleite por alguns minutos numa refeição ou entretenimento?

Que tipo de Caridade faz diferença entre espécies, limitando suas ações morais somente àqueles equivocadamente considerados como únicos detentores da racionalidade?

Onde o Amor nesta lógica antropocêntrica e especista?

O antropocentrismo é consequência direta do egoísmo e do orgulho, pois concede arbitrariamente um lugar privilegiado ao humano como sendo melhor do que os outros seres vivos e com direitos de oprimi-los para satisfazer os seus próprios interesses e conveniências. Allan Kardec, se opondo a este pensamento, asseverou:

“O orgulho levou o homem a dizer que todos os animais foram criados por sua causa e para satisfação de suas necessidades. […] Deus, decerto, não as criou por simples capricho da sua vontade, para dar a si mesmo, em seguida, o prazer de as aniquilar, pois que todas tinham vida, instintos, sensação de dor e de bem-estar. Com que fim ele o fez? Com um fim que há de ter sido soberanamente sábio…” [2]

O espírito Humberto de Campos, por meio da psicografia de Chico Xavier, resgatou uma importante interpretação de Jesus sobre o mandamento “não matarás”, deixando claro que sua prescrição proibitiva inclui também a vida animal. Esta mensagem espírita é esclarecedora pois há milênios este mandamento tem sido ensinado em desfavor dos animais, como se suas vidas fossem menos importantes para Deus.

“Reza a lei do passado: Não matarás; eu, porém, vos digo que não se deve matar em circunstância alguma e que se faz indispensável a vigilância sobre os nossos impulsos de oprimir os seres inferiores da Natureza, porque, um dia, responderemos à Justiça do Criador Supremo pelas vidas que consumimos” [3]

Trata-se de um importante argumento espírita a favor da libertação animal e para se perceber como que o Espiritismo contribui para a superação de conceitos religiosos antropocêntrico-especistas que excluem os animais da esfera da moralidade humana. Além disso, a mensagem de Jesus se refere também aos “impulsos de oprimir”, ou seja, aqueles que derivam do egoísmo e do orgulho.

As metas primordiais do cristão-espírita se encontram na vivência da “Lei de Justiça Amor e Caridade” e do “Maior Mandamento”, que foram especificamente interpretadas pelos Bons Espíritos como só podendo ser integralmente vividas se nelas for incluído o amor aos animais e à Natureza, sublimando o orgulho e o egoísmo e cooperando com Vida em abundância para todos os seres.

É tempo da re-ligação com a Natureza, da redescoberta do sagrado de todos os seres, da superação do orgulho e do egoísmo: de vida em harmonia com a Mãe-Terra.

Referências:

[1] KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. Questão 913.

[2] KARDEC, A. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB (site). Capítulo 7. Item 32, pp. 138.

[3] XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Pontos e Contos. 13 ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2016. 270 p. Capítulo 33 “A dissertação inacabada”, pp. 166.

7 respostas
  1. Annetoxire
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  2. Sandra
    Sandra says:

    Matar em legitima defesa da própria vida e de terceiros é a indispensável exceção à regra. Em nenhuma outra ocasião, nem mesmo para matar a própria fome, pois será sempre criminosa a mão que assassina ao invés de salvar.

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