Card #09: “Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais”
Que tal incluir o vegetarianismo nas suas metas?
Alguns pensam que o vegetarianismo não é assunto do espiritismo ou que se trata de algo para o futuro. Todavia, isso não é verdade, pois são muitos os textos de autores espíritas.
No nosso “Catálogo de Referências Bibliográficas da Ética Animal Espírita” compilamos mais de 200 trechos de mais de cem livros espíritas, onde variados espíritos pediram engajamento na proteção e defesa dos animais e na renovação de hábitos alimentares para uma dieta vegetariana.
Buscamos demonstrar que o espiritismo tratou do assunto em suas obras mais conhecidas, e assim estimular os espíritas a movimentar-se também pela libertação animal, somando forças na busca pela superação do especismo.
Os milhares de centros espíritas poderiam contribuir muito para a ampliação da consideração moral e reconhecimento de direitos aos animais, por exemplo, adotando o vegetarianismo nas cantinas, almoços beneficentes, comemorações, doações de alimentos e similares.
Para se ter uma ideia da importância dessa movimentação, o cenário atual é de cerca de 78 bilhões de animais terrestres mortos para alimentação em um ano ao redor do mundo [1], sem contar os animais aquáticos cujo número é muito maior. Isso exerce um impacto socioambiental sem precedentes ao planeta.
Como disse Emmanuel: “A ingestão das vísceras dos animais é um ERRO DE ENORMES CONSEQUÊNCIAS, do qual derivaram numerosos VÍCIOS da nutrição humana. É de LASTIMAR semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem VEGETAL, SEM A NECESSIDADE ABSOLUTA dos matadouros e frigoríficos.” [2]
A transição para o vegetarianismo contribui para minimizar estas “lastimáveis” e “enormes consequências”, que são de várias ordens: ambiental, social, política, ética etc.
Alexandre, na mesma linha de Emmanuel, afirmou que o consumo de animais para a obtenção de proteínas se trata de um pretexto, ou seja, uma desculpa para encobrir a verdade: “A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Sugávamos os tecidos musculares, roíamos os ossos. Não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatávamos os requintes da exploração milenária…” [3]
É pregação comum nos espaços espíritas a prática do perdão, da caridade, da paciência etc. Já imaginou se passarmos também a pedir respeito e proteção aos animais? Quanto sofrimento pouparíamos? Quanta violência evitaríamos?
Nessa direção, André Luiz recomendou ao movimento espírita “Apoiar, quanto possível, os movimentos e as organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão.” [4]
Precisamos, portanto, enquanto movimento espírita ampliar as máximas “fora da caridade não há salvação” e “amai ao próximo” aos animais e toda a Natureza.
Entrelacemos as mãos e auxiliemos uns aos outros na renovação gradativa de hábitos próprios e nos espaços espíritas.
Como disse Irmão X: “Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais” [5]
Referências:
[1] https://anda.jor.br/o-numero-de-animais-mortos-para-o-consumo-aumenta-a-cada-ano-no-mundo
[2] XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.1. “Aprendizado”, questão 129, pp. 90-91.
[3] XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 382 p. Capítulo 4 “Vampirismo”, pp. 42-46, pelo benfeitor Alexandre.
[4] VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante os animais”, pp. 89-90.
[5] XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Cartas e Crônicas. 14 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 167 p. Capítulo 4 “Treino para a morte”, pp. 18.
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