Artigo #21: Mundo de Paz e Solidariedade, com matadouros?
Por Roberto Caldas, membro do MOVE.
“(…) Na Natureza tudo se encadeia, tudo se liga; é uma corrente infinita em que todas as coisas e todos os seres, presos pelos mesmos elos, tendem sempre para um estado melhor: tudo tem por alvo o Progresso, a Evolução para a Perfeição […].” (Cairbar Schutel, Gênese da Alma).
O universo infinito se revela cada vez mais espetacular e instigante aos olhos do ser humano. Aos poucos, dúvidas antigas e essenciais da ciência humana vão encontrando algumas respostas. Porém, a criação divina é de uma complexidade e sabedoria ainda tão distantes do nosso entendimento ainda tão centrado no “próprio umbigo”, que para cada questão respondida, outras perguntas nascem, provocando corações e mentes desejosos por um despertar a mergulhar na busca por respostas e soluções para as graves crises que atormentam o planeta e todos seus habitantes – humanos e não humanos – e que geram imenso turbilhão de dores, sofrimentos ásperos e extermínio de vidas, atrasando nossa jornada rumo a uma sociedade justa, fraterna e multiespécie.
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Tomando a astronomia como ponto de partida para o raciocínio e a analogia, percebe-se que ela caminha a passos largos e rápidos, produzindo e operando telescópios cada vez mais avançados, cujo olhar atinge as profundezas mais distantes no tempo e no espaço, buscando as informações cósmicas que residem, literalmente, na luz que parte das estrelas, em todo seu espectro eletromagnético, desde as ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, a própria luz visível a nossos olhos mortais, passando pelo ultravioleta e raios X, até os raios gama.
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Se nos debruçarmos sobre as grandes descobertas da ciência cósmica (e não é necessário ser um cientista para isso, como no meu caso), desde os primórdios da história humana até os dias de hoje, não será difícil constatar que, se existe uma palavra ou um conceito, que permeia todo o universo infinito, esta palavra seria: evolução. Os catálogos de corpos celestes crescem de forma exponencial e alucinante. Nossa pequena casa, a Via Láctea, abriga cerca de duzentos bilhões de estrelas. Estima-se que o universo conhecido até hoje, contenha um número de difícil compreensão, ao menos para mim: dez sextilhões de astros [1]. Significa o número 1, seguido de vinte e um zeros! Boa parte destas estrelas prendem ao redor de si pelos laços da gravidade, sistemas planetários, vários destes mais ou menos similares ao nosso diminuto sistema solar.

E pensar que, em pleno século XXI, marcado por anomalias psicológicas e cognitivas como a crença na terra plana e no homem como pináculo monárquico da evolução, ainda existem aqueles que acreditam ter sido o universo uma criação sem vida inteligente, nem propósito outro que não fosse para recrear nossas almas em noites claras e céus esbranquiçados de tantas estrelas no céu, ou de luar intenso, ou ainda, de auroras boreais mágicas e dançantes. Estes números que apresentamos são espantosos, e indicam que de fato há muitas moradas na casa de nosso Pai. [2]
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Este rápido olhar sobre o universo objetiva ser a moldura ideal para exibição de uma obra de arte da Criação Divina: a evolução. A poeira estelar e os gases são os ingredientes primordiais que constituirão os aglomerados de matéria, que, por sua vez, aglutinando-se em turbilhões de energia inimaginável, formarão estrelas e sistemas. Estes sóis, despejando matéria nos sistemas e exercendo sobre esta suas forças de atração, farão com que estas matérias evoluam para a formação de planetas e seus satélites. Estes novos mundos se estabilizam, evoluindo a um ponto tal (vejam a constante presença deste verbo e salvem este conceito!), que permite a eclosão da vida microscópica, que inicia então uma escalada multimilenária de existências, progredindo rumo a formações cada vez mais elaboradas, povoando os mundos e fazendo-os palcos para a evolução biológica, ético-moral e intelectual. O ponto final desta jornada? Só Deus tem os projetos detalhados, todos salvos na “nuvem” de sua Sabedoria Infinita, e a senha… bem, ainda estamos há “milhões de anos-luz” de sabê-la.
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Porém, já é perfeitamente possível identificar fundamentos e virtudes, não antropocêntricas, que sinalizam o caminho até o tal “ponto final” desta jornada.
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Os corpos celestes e o conjunto da vida distribuídos por todo este universo, estão percorrendo um cósmico “Caminho de Santiago”, bastando, para melhor compreender tais jornadas, um olhar mais profundo sobre o assunto, desdobrado nas ciências, filosofias e saberes ancestrais. Ou posso dizer, bastando a todos nós “a coragem de saber”, como afirma Humberto Schubert:
“A superação da ignorância não se resume a uma questão de educação, mas ao ato moral que exige “coragem de saber.”
E as perguntas que apresentamos aqui, sendo provocativas e demandando respostas revolucionárias para o bem de toda a coletividade terrestre sem exceções especistas, passam naturalmente pela superação da ignorância, prima irmã da indiferença e da inação, que por sua vez exige coragem. Coragem de saber e agir.
Também os planetas gravitam em torno de uma estrada cósmica evolucional, com grande diversidade de tipos entre si. Assim como existem planetas em condições ambientais inóspitas, outros abrigam um meio ambiente mais acolhedor à vida. Kardec afirma que a variedade de tipos é gigante e classifica a escala de mundos assim: os primitivos, que recebem as primeiras encarnações humanas, onde se destacam a rudeza, o instinto e a ausência de beleza nas formas do ser humano; os mundos de expiações e provas, que seria o estágio atual da Terra, onde o mal ainda se destaca; os mundos de regeneração, nos quais as almas ganharão forças, em ambiente mais asserenado e moralizado; os mundos ditosos, onde o bem predominará; e os mundos celestes, lares de espíritos depurados, onde quem manda é o bem. Outras filosofias, mitologias e crenças compartilham desta ideia de uma classificação mundos e de passagem de eras.

Olhando com carinho
Uma das marcas do legado de Kardec é o estímulo à análise crítica, ao não estacionamento doutrinário no parque dos dogmas e fundamentalismos. Neste sentido, antes de avançarmos na pergunta título deste texto, pensemos.
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O século XIX passou, depois o atormentado século XX, e nos dias de hoje, com novas ferramentas, conhecimentos, métodos de pesquisa, ciências novas, descobertas empolgantes, avanços em diversas áreas da sociedade o século XXI avança, porém, simultaneamente, com gravíssimas crises que interferem decisivamente na vida de humanos, não humanos e de todos os elementos da Natureza. Portanto, não se deve temer a necessidade de, “kardequianamente” pensando, discutir, questionar o alcance, a abrangência na consideração de todos os seres vivos e inanimados no contexto desta escala de mundos apresentada por Kardec, e, sobretudo, analisar tal escala de forma gentil e profunda, no sentido de identificar os rumos que o planeta está tomando, claros e cada vez mais dolorosos, o que afasta qualquer possibilidade imediata e abrupta de implantação de um novo patamar moral e ético.
Filosofar é amar a sabedoria e o questionamento e a filosofia é prerrogativa do espiritismo. Assim sendo, uma pergunta emerge contundentemente:
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Mesmo considerando o cenário global de degradação ambiental, de biodiversidade em crise de sobrevivência e acelerado processo de extinção, de graves problemas sociais, políticos e éticos, das opressões impostas pelas estruturas dominantes às chamadas minorias, além da persistente exploração especista pelos humanos, cujas perspectivas sinalizam manutenção ou piora destes cenários na linha do tempo, ainda por décadas, talvez séculos, será a chamada transição planetária de Kardec, repercutida por médiuns e espíritos no século XX, uma inevitável etapa na evolução humana, algo posto como “definitivo” e acontecimento garantido para algum futuro próximo? E que virá como uma espécie de salvação?
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Ou…
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… ou a espécie humana em sua insana caminhada ecocida, maximizando opressões em todos os quadrantes da sociedade, explorando a natureza, enlouquecida pelo “deus” dinheiro, condena-se ao autocídio, levando junto tantas outras espécies, condenando o planeta a um ambiente inóspito e árido, seja qual for o patamar que o planeta atingir em sua escala cósmica?
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Olhando com carinho para nosso planeta, percebemos que a evolução está presente desde quando o homem descobriu o fogo e começou a forjar metais, até os dias presentes, quando este constrói computadores e naves cada vez mais poderosos. A asa intelectual só faz crescer, enquanto a asa moral, mesmo com muitos exemplos inspiradores de espíritos iluminados que por aqui passaram, segue ainda atrofiada, porque as grandes massas humanas insistem na opressão às criaturas de todos os reinos – e os animais sofrem terrível e desnecessariamente com isto: o nome disto é especismo, a exploração de uma espécie por outra, que se julga possuidora de falsos direitos e privilégios sobre a vida e a morte sobre os demais seres viventes deste que deveria ser um planeta que presenciasse a evolução ético-moral de seus habitantes.
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A evolução, palavra-chave neste artigo, sofre distorções a cada pensamento, palavra ou ato de invasão, exploração e dominação humana sobre os demais filhos de Deus, cidadãos planetários merecedores de toda a naturalidade e dignidade de uma VIDA em paz e saúde.
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É evidente que avançamos muito, assim como é cristalino que nosso mundo ainda apresenta questões e dilemas éticos que clamam por uma reflexão profunda, seguida de uma abordagem coerente com o sentido de evolução que, assim como permeia o universo infinito, deve também fazer morada na consciência da humanidade terrestre, encarnada ou desencarnada.
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Avancemos tomando por base a escala dos mundos de Kardec, dentro do exercício de reflexão aqui proposto.
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Nosso chamado mundo de expiação e provas foi o cenário no qual a humanidade necessitou da caça para alimentar e aquecer o corpo, pois a inteligência ainda incipiente, não conseguia criar alternativas melhores. Mesmo assim, não foram todos os nossos antepassados hominídeos que buscavam na carne os recursos proteicos necessários. Espécies do gênero Australopitecos alimentavam-se basicamente de frutas, nozes e outros vegetais mais rudes, conforme indicam os estudos de alguns fósseis importantes, como suas mandíbulas, adaptadas para a mastigação intensa de talos e caules [3].
Com o tempo, evolução e o conhecimento levaram o homem a elaborar e sofisticar cada vez mais o vestuário, a cosmética, o lazer e a alimentação, elevando assim, a exploração da natureza a níveis alarmantes e insuportáveis, tornando urgente uma revolucionária inversão de polaridade, do ponto de vista ético e espiritual, saindo daquela de total exploração e objetificação de seres para outra, de solidariedade multiespécie plena. A saída transita pela compreensão reta de que há alternativas, porém…
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- No vestuário, mesmo com opções sintéticas ou vegetais, ainda usamos peles.
- Na cosmética, mesmo com alternativas naturais, ainda desenvolvemos produtos à custa de pesquisas dolorosas em animais.
- No lazer, mesmo com tantas diversões edificantes à disposição, ainda existem touradas, rinhas de galos, caça e pesca “esportiva” e circos com animais treinados à base do chicote.
- Na alimentação, ainda que a natureza ofereça com fartura opções nutritivas e saborosas, ainda exploramos a vida animal, e por vezes com crueldade acentuada, tais como o foie gras, obtido à custa de alimentação forçada e dolorosa dos gansos, ou a vitela, obtida pela separação triste do bezerro de sua mãe.
Recursos naturais preciosos, biomas deslumbrantes e ecossistemas magistralmente equilibrados e belos, construídos por mãos divinas, têm sido explorados em nome das paixões e dos lucros. Vidas de bilhões, trilhões (considerando os seres das águas) de animais são ceifadas para atendimento de costumes, caprichos e interesses humanos dos mais discutíveis lamentáveis.
Neste cenário de degradação natural e moral, corremos o risco real e imediato de adentrar neste suposto patamar de mundo de regeneração tendo por pano de fundo, um planeta exaurido e ainda povoado de animais que sofrem e perdem vidas, para nossa “curiosa” e insaciável satisfação antropocentricamente egoísta.
E por falar no termo “anthropos”…
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Alguns intelectuais classificam os últimos tempos da humanidade com o nome de antropoceno, a era no qual o centro de toda a criação no planeta é o homem e a satisfação de suas crescentes necessidades e paixões. Não se trata de mera coincidência, a constatação de que a natureza está sendo degradada de forma preocupantemente acelerada, desde os primórdios deste lamentável período da história.

Faz sentido.
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Mas não pode prosseguir assim, indefinidamente.
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A humanidade atinge atualmente um belo nível de conhecimentos morais, que, agregados aos científicos, sacodem a nossa zona de conforto, provocando-nos à reflexão, que além de importante, é urgente.
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Com os ensinamentos de Jesus e de tantos outros que vieram antes e depois dele, ampliados no século XIX através de Kardec e a doutrina espírita, e com a contribuição de outros respeitáveis credos religiosos que deitam um olhar mais fraterno para com nossos irmãos ditos inferiores, como a Igreja Adventista, por exemplo, que através de uma de suas maiores lideranças, Ellen White, adverte que “O Senhor dará sabedoria a Seu povo para preparar daquilo que a terra proporciona, alimentos que tomem o lugar da carne.” [4], não tem mais jeito: somos sabedores dos conceitos de amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos, e assim, fica cada vez mais inviável a permanência insistente em estilos de vida especistas, dolorosamente exploratórios da vida e do meio ambiente, e que se chocam frontalmente com a máxima do Cristo, de fazer ao próximo (seja ele humano ou animal), aquilo que desejamos que seja feito para conosco.

Este despertar para as premissas de um mundo regenerado, seguindo o exemplo do Mestre em sua humildade e mansidão, necessita ser sereno, fraterno, passando longe de movimentos violentos e desrespeitosos, pelo simples motivo de que não se pode pedir respeito à Criação Divina, desrespeitando as pessoas. Uma coisa não fecha com a outra, como o azeite e a água, sendo que desta forma, o desrespeito e a falta de caridade, subtrairiam a legitimidade desta causa.
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No combo dos grandes conhecimentos, recebemos grandes responsabilidades. Por isso, a importância e a urgência da reflexão, não exatamente de uma reforma íntima, mas de uma revolução individual e coletiva de valores e hábitos.
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E a espiritualidade, o que noz diz?
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A espiritualidade superior nos socorre, desde meados do século XX, com obras cheias de referências a respeito do atual estado espiritual do planeta. E em alguns casos, com narrações pontuais sobre empreendimentos humanos exploratórios, como os abatedouros. Neste sentido, ilustramos este artigo com uma passagem da obra “Missionários da Luz”, na qual André Luiz e o benfeitor Alexandre visitam um matadouro.

Caracterizar um local como este, implica em usar expressões como: vibrações desagradáveis, repugnância, aglomerações de entidades inferiores em lastimáveis condições e em atitudes de lamentável vampirismo em relação “aos borbotões de sangue vivo” de nossos irmãos bovinos. Todas estas expressões foram manifestadas por André Luiz e Alexandre, testemunhas oculares em visita a um local, cuja operação é absolutamente incompatível, primeiro, com o nível de conhecimento moral, espiritual e científico atingidos atualmente e que permite, além da necessária reflexão, uma tomada imediata de novas atitudes e hábitos de consumo; e segundo: a discrepância da coexistência de matadouros no contexto de um planeta em regeneração, onde o amor ao próximo, seja ele humano ou animal, se fortalece e onde os espíritos e as almas convalescem, buscando forças para voos evolutivos mais altos. André Luiz com a palavra:
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“Diante do local em que se processava a matança dos bovinos, percebi um quadro estarrecedor. Grande número de desencarnados, em lastimáveis condições, atirava-se aos borbotões de sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora…”.
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“Poucas vezes, em toda a vida, eu experimentara tamanha repugnância. As cenas mais tristes das zonas inferiores que, até ali, pudera observar, não me haviam impressionado com tamanho amargor. Desencarnados à procura de alimentos daquela espécie? Matadouro cheio de entidades perversas? Que significava tudo aquilo?”
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Diante do pavor de André Luiz, frente a tal cenário, o benfeitor chama a atenção para algo muito importante:
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“Porque tamanha sensação de pavor, meu amigo? Saia de si mesmo, quebre a concha da interpretação pessoal e venha para o campo largo da justificação. Não visitamos, nós ambos, na esfera da Crosta, os açougues mais diversos? Lembro-me de que em meu antigo lar terrestre havia sempre grande contentamento familiar pela matança dos porcos. A carcaça de carne e gordura significava abundância da cozinha e conforto do estômago. Com o mesmo direito, acercam-se os desencarnados, tão inferiores quanto já o fomos, dos animais mortos, cujo sangue fumegante lhes oferece vigorosos elementos vitais. Sem dúvida, o quadro é lastimável; não nos compete, porém, lavrar as condenações. Cada coisa, cada ser, cada alma, permanece no processo evolutivo que lhe é próprio.” [5].
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Ao alerta do benfeitor Alexandre podemos acrescentar que, com respeito e ausência de juízos de valor, é possível, altamente desejável e urgente, que contribuamos para acelerar o passo de todos, no entendimento do significado profundo da expressão “amor ao próximo”. Como fazer isto? Conversando, estudando e debatendo fraternalmente sobre o tema, sempre rumo a atitudes concretas de mudança, mas de forma acelerada, pois bilhões, trilhões de vidas dependem disto, assim como todo o meio ambiente cujo equilíbrio está perturbado por conta da ação humana.
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Respondendo à indagação de um André Luiz estarrecido com o matadouro: “que significava tudo aquilo?”, podemos dizer que em pleno século XXI, a caminho de um novo mundo e com base sólida nas referências encontradas na obra de Kardec, aquele ambiente lamentável significa um grito de alerta. Não podemos mais conviver com a dor infligida a nossos irmãos animais.
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Temos conhecimento a respeito disto, e com ele, responsabilidades.
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O fim dos matadouros não beneficia somente os irmãos animais, propiciando-lhe o natural ato de bem viver, mas viabilizam a seca das fontes de alimento deletério para irmãos em péssimas condições espirituais, em franco vampirismo, como relata André Luiz. Sem oferta de certo produto, será preciso buscar outro. Mais saudável, por que não?
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Um mundo sem extermínios como estes, só tem a ganhar.
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De novo, temos conhecimento a respeito disso tudo, e este conhecimento traz responsabilidades.
Matadouros não condizem com mundos mais elevados, pois nestes mundos habitarão almas que estão em franca ascensão no entendimento do amor universal. Nesta jornada vida acima, o consumo de carne e todos os subprodutos de origem animal cujos preços sejam a dor e o extermínio, carrega em si ingredientes psíquicos nada positivos. Seres criados por Deus para evoluir, o mesmo objetivo por nós perseguido, diariamente perdem suas vidas por uma determinação humana especista, saturando bandejas com vísceras nos supermercados, com emoções ligadas à dor, ao estresse, ao pânico e à crueldade.
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Nosso alimento pode ser outro, cujos temperos e ingredientes sejam integralmente o amor, a mansidão e a paz. Nestes pratos, amigos, acreditem, o sabor será sublime.
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Metafórica e literalmente falando, fogões e geladeiras são elementos propulsores da paz e da vida, desde que orientados ao veganismo – um estilo de vida de perfeito encaixe aos ideais de uma solidariedade multiespécie.
Então, estando nossos baús existenciais tão cheios de obras e ensinamentos sublimes que servem a todos, espíritas ou não, não existe fuga possível que nos subtraia às seguintes considerações, sempre com o fraterno respeito em relação a posições divergentes, mas firmes em nossa posição pela vida:
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E se de fato a alvorada de um novo mundo de regeneração se aproxima, e, sendo este mundo caracterizado pela convalescença, dentro de uma consciência profundamente cristã de amor ao próximo, será possível imaginar que os pacientes em recuperação neste grande hospital terrestre de um mundo de regeneração, ainda convivam com os mesmos hábitos de consumo que o levaram à doença?
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Num mundo melhor moral e eticamente, onde o amor e a paz entrariam nas almas de forma mais acelerada, seria possível que as consciências seguissem tranquilas, quando o lazer é obtido ao preço da dor, como na caça e pesca ditas “esportivas” ou ainda nas touradas, para citar apenas dois casos?
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Neste novo ambiente planetário, no qual o despertar para o cuidado com o meio ambiente será efetivo, como conceber a continuidade do maltrato dos recursos sublimes das florestas e das águas, em nome dos cifrões?

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Moradores de uma Terra mais sensível em relação ao valor da vida animal, onde o amor dedicado a nossos bichinhos de estimação deveria ser o mesmo direcionado a todos os demais seres, ainda seria “normal” a existência da indústria pecuária, disseminadora de tanto sofrimento e de tantos danos ao ecossistema?
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E trazendo estas reflexões para o contexto do movimento espírita…
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Sabedores das recomendações da espiritualidade sobre uma alimentação leve e a sugerida abstenção do consumo de produtos de origem animal em dia de trabalho mediúnico [6] [7], como não refletir sobre a extensão destas orientações, para os demais departamentos da vida? Todos os dias são sagradas oportunidades de elevação moral.
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Será possível conceber um mundo de regeneração no qual os centros espíritas não abram espaço à exposição e estudos fraternos e desapaixonados, sobre o tema do consumo consciente, notadamente o vegetarianismo e o veganismo, mesmo tendo por base as mais de duzentas referências existentes na bibliografia espírita?
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Indo mais além, como seguir trabalhando na seara cristã e espírita, divulgando e incentivando o estudo, esforçando-nos para ser homens de bem, enquanto ainda se estimula a disseminação da dor, do sofrimento e da morte de bilhões de irmãos animais, para satisfação das necessidades de consumo?
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É possível e aceitável imaginarmos o vindouro mundo de regeneração, que sucederia ao nosso mundo áspero de lutas e opressões de toda ordem, para nos reestabelecer as forças espirituais para nossa jornada imortal, ainda possuidor de edificações de sofrimento, tais como abatedouros, aviários de produção industrial, criações de peixes aos milhares em confinamento cruel, ou mesmo jaulas e gaiolas, que abrigam irmãos somente para nosso deleite?

Será possível que o movimento espírita não se posicione de forma amorosa e cristã, porém firme, contra a exploração animal, sabedores que somos que o princípio espiritual evolui (olha o verbo de novo!) desde os seres microscópicos até o homem, e do homem aos anjos?
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Prezados leitores, nunca tivemos tantos convites à meditação e tomada de atitudes, como nos presentes dias, na forma de conhecimentos e ensinos fornecidos por tantos espíritos por tamanhos saberes atemporais ricamente entregues por inteligências, como exemplo, a dos povos originários. Com gentileza, tolerância em relação às divergências de entendimento, e sobretudo, com muita paz, é possível, eu diria, é indispensável e inadiável colocar este tema na ordem do dia.
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Com as singelas provocações deste artigo, finalizaremos repetindo o título deste texto, rogando a todos os irmãos que reflitam, tomando-o como representativo de tudo o que signifique a violação do mandamento do Cristo: “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
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Mundo de regeneração com matadouros????
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Referências:
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[1] INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. http://www.inpe.br/faq/index.php?pai=11
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[2] KARDEC, A. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. III “Há muitas moradas na casa de meu pai”.
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[3] http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/australopithecus-anamensis
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[4] WHITE, E. Conselhos sobre Regime Alimentar. Capítulo XV “Alimentos saudáveis e restaurantes vegetarianos”. Página 232.
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[5] XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. Capítulo 11.
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[6] MIRANDA, HERMÍNIO C. Diálogo com as sombras. Página 58.
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[7] XAVIER, F. C.; VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Desobsessão. Capítulo II.




Não é fácil abandonar velhos hábitos. Eu se porque já tentei e, infelizmente, depois de três meses de vegetarianismo, fracassei e voltei a consumir carne. Mas, depous de ler este artigo, prometo a mim mesma que tentarei novamente com a convicção de que a espiritualidade maior ajudará no fortalecimento da minha vontade.
Que lindo depoimento!
Desejamos bom ânimo!
Ufa consegui achar o artigo que estava precisando e
poucos conseguem ter essa informação correta e
relevante. Obrigado e vou compartilhar no meu twitter.
Acho que esse mundo de regeneração não passa de uma ilusão. Não há garantia alguma de que isso possa vir a acontecer. A história mostra que entre amores e ódio, verdades e mentiras, egoísmo e solidariedade, a humanidade vai caminhando com um propósito desconhecido. Na concepção do bem vs o mal não há vencedores, pois essa é a essência do ser humano em equilíbrio constante.
A Terra ainda se acha num estágio extremamente primitivo.
Como podemos pensar em eliminar a indústria da morte se ainda existe falsidade entre colegas de trabalho e parentes? discriminação das mais variadas formas? pessoas matando as outras por vingança, egoísmo ou traição, como se ainda estivéssemos no século X? Vizinhos se odiando e até se matando por detalhes quase imperceptíveis?
E agora, e plena época de pandemia, o egoísmo nunca falou tão alto, ao ponto em que alguns infelizes simplesmente ignoram a moléstia pra satisfazer seus vícios e suas paixões doentias, mesmo que isso custe a vida de milhares de irmãos.
O mundo nunca esteve tão cheio de criaturas desequilibradas, egoístas e doentes. Muito me surpreende que ainda não tenha eclodido uma guerra nuclear, uma catastrófica guerra que seria o reflexo do que nós somos e não queremos deixar de ser.
A Terra, ao meu ver, ainda não está preparada para a Regeneração. O mundo ainda está bastante decadente, desmoralizado e frio.
Protetora de Animais espírita, vegetariana há quarenta anos e vegana há seis, confesso, não escrevia “espírita” com muita convicção, não. Isso porque soava contraditório assistir renomados palestrantes, falando sobre o amor aos animais nas tribunas porém almoçando eles, depois. Denominando-os “irmãos” nas palestras edificantes, saboreando pedaços dos cadáveres deles nos almoços “fraternos”, em prol do Lar de Idosos ou do Abrigo das Criancinhas, onde existe caridade, exceto para os animais.Impossível, é verdade, esperar caminharmos na direção do Mundo de Regeneração, pisando sobre animais mortos, não por nossas mãos, porque somos “bonzinhos” mas financiados por nosso livre arbítrio, para que trabalhadores remunerados executem o trabalho sujo de sangue matando inocentes chamados “proteínas”. Não, não é possível conceber um Mundo Regenerado, deixando os animais fora dele, isso é contraditório e na contra mão da vida, principalmente da parte de quem abomina o aborto, o suicídio, a eutanásia e a pena de morte. Quem sabe, seja essa a condição de habitá-lo, não derramar o sangue dos nossos irmãos animais se desejamos merecer ser filhos do Nosso Pai Celestial.
Artigo maravilhoso , muito oportuno ao momento atual… um alerta a todos
Nós, espíritas, que buscamos a evolução ético – moral !!
Artigo elucidativo, um alerta… a maioria dos espíritas, precisa ter mesmo, uma atitude mais ousada e firme, no que se refere à defesa da fauna e da flora !!
Ana Teresa Merbach .
Jundiá – SP.
Agradecemos a sua visita e comentário. O Espiritismo tem muito a contribuir com a libertação animal. Que possamos assumir este sagrado dever enquanto movimento espírita. Abraço fraterno.