Card #65 – “Deus se manifesta, desde a raiz da floresta, aos horizontes de anil”

Temos visto Deus na Natureza?

A literatura espírita é vasta no assunto do respeito à Natureza. São muitos os benfeitores espirituais nos convidando a desenvolver consideração moral pelos animais, florestas, montanhas, rios e mares…Um verdadeiro tributo à Mãe Terra.

O espírito Casimiro Cunha, com sua habilidade poética, recitou:

“Conserva e ama a paisagem
Onde o teu sonho nasceu.
A terra bondosa e farta
É outra mãe que Deus te deu.”

XAVIER, F. C.; CASIMIRO CUNHA (Espírito). Cartas do Evangelho. Capítulo “Carta aos homens do campo”

Sim, a Terra é Mãe, nosso ninho de aconchego e progresso espiritual. No inesquecível Cântico das Criaturas, assim Francisco de Assis a chamou:

“Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa…”

https://franciscanos.org.br/carisma/simbolos/o-cantico-das-criaturas#gsc.tab=0

Além das prescrições práticas, sobre a renovação de hábitos alimentares para uma dieta vegetariana, apoio aos movimentos de proteção do meio ambiente e até mesmo de utilização dos recursos terapêuticos espíritas (como os de natureza mediúnica) no socorro aos animais, os espíritos destacaram repetidamente a necessidade de aprendizagem da Lei de Deus pela comunhão com a Natureza.

Emmanuel, em ocasiões diversas, enfatizou que “A natureza é onde a inteligência divina se manifesta” [1].

Em O Livro dos Espíritos, lemos os Imortais destacando a lei de unidade: “Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza” [2].

Outro espírito, André Luiz, ressaltou a interdependência entre todos os seres: “Retiremos dos cenários naturais as lições indispensáveis à nossa vida. Somos interdependentes. Não vivemos em paz sem construir a paz dos outros. Temos funções específicas. Existimos para colaborar no progresso da Criação, edificando o bem para todas as criaturas” [3].

Já Léon Denis, com maestria, ilustrou a comunhão com Deus por meio da Natureza:

“Nas almas evolvidas, o sentimento da solidariedade torna-se bastante intenso para se transformar em comunhão perpétua com todos os seres e com Deus. A alma pura comunga com a natureza inteira; inebria-se nos esplendores da Criação infinita. Tudo: os astros do céu, as flores do prado, a canção do regato, a variedade das paisagens terrestres, os horizontes fugitivos do mar, a serenidade dos espaços, tudo lhe fala uma linguagem harmoniosa. Em todas as coisas visíveis, a alma atenta descobre a manifestação do pensamento invisível que cobre o cosmos. Este reveste para ela um aspecto encantador. Torna-se o teatro da vida e da comunhão universais, comunhão dos seres uns com os outros e de todos os seres com Deus, seu Pai” [4].

Todavia, temos devastado o planeta que habitamos atualmente, como usufrutuários de seus benefícios, indiferentes ao seu amor de Mãe.

Aquecimento global, acidificação dos oceanos, desmatamento, desertificação, pandemias e extinção em massa de espécies animais, por exemplo, têm causado um número cada vez maior de eventos extremos com consequências dramáticas aos próprios humanos, em especial os mais empobrecidos, que pagam o mais alto preço.

É preciso que aprendamos a ver, ouvir, sentir e contemplar a sabedoria e a bondade de Deus na Mãe-Natureza, desde os elementos mais ínfimos, se quisermos verdadeiramente evoluir e usufruir de bem-estar físico e espiritual. Nesse sentido, narrou Joanna de Ângelis: “a busca da Natureza e das suas várias expressões, como fases da evolução da vida, deve ser considerada como essencial, a fim de alcançar o sentimento de humanidade. Não se pode amar e sentir compaixão apenas dos seres pensantes, sem uma correspondência com os demais que constituem a ordem universal, particularmente no planeta-mãe, que é a Terra” [5].

Por isso, quão linda a poesia do espírito João de Deus, que evocamos como inspiração para evoluir nossa relação com a Natureza:

“O livro da Natureza,
Repleto de resplendores,
Com jardins encantadores
Abertos em flores mil,
É o livro sublime e vivo
Em que Deus se manifesta,
Desde a raiz da floresta
Aos horizontes de anil.”

XAVIER, F. C.; JOÃO DE DEUS (Espírito). Jardim da infância. Capítulo “Natureza”:

Referências:

1)XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.2. “Física”, questão 17, pp. 25.

2) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB (site). Capítulo XI. Questão 607a, pp. 370.

3) XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Ideal espírita. Capítulo “Ouvindo a Natureza” (Espírito André Luiz).

4) DENIS, L. O grande enigma. 16 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2014. 183 p. 1ª parte, cap. 3 “Solidariedade: comunhão universal”, pp. 32-34.

5) FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Encontro com a Paz e a Saúde. 5 ed. Salvador: LEAL, 2016. 232 p. Capítulo 10 “Em busca da iluminação interior”, item “Processo de autoiluminação”, pp. 198-201.

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