Grupo Chico

Para facilitar a pesquisa, dividimos o Catálogo de Referências por Autores. No caso, separamos em cinco Grupos de Autores: Grupo Kardec, Grupo Chico, Grupo Divaldo, Grupo João e Grupo Diversos.

Neste Grupo Chico você encontrará trechos de vários autores espirituais psicografados pelo médium Chico Xavier, como Emmanuel, Humberto de Campos, Meimei, André Luiz, Neio Lúcio, Casimiro Cunha e muitos outros.

Aproveite!

AMÉLIA RODRIGUES

XAVIER, F. C. AMÉLIA RODRIGUES (Espírito). Primícias do Reino. 12 ed. Salvador: LEAL, 2015. Capítulo 3 “O excelso canto”. pp. 62:

“Mas amar a relva, o homem, o céu, o animal, o inseto, a vida em todas as manifestações, integrar-se na essência da substância divina, coração aberto ao amor, com pureza em tudo. “Verão a Deus!”
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ANDRÉ LUIZ

XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Ideal espírita. Capítulo “Ouvindo a Natureza” (Espírito André Luiz):

“Em todos os ângulos da Vida Universal, encontramos, patentes, os recursos infinitos da Sabedoria Divina.
A interdependência e a função, a disciplina e o valor são alguns aspectos simples da vida dos seres e das coisas.
Interdependência – a vida vegetal vibra em regime de reciprocidade com a vida animal. A laranjeira fornece oxigênio ao cavalo e o cavalo cede gás carbônico à laranjeira.
Função – o futuro é o resultado principal da existência da planta. A laranjeira, conquanto possua aplicações diversas, tem na laranja a finalidade maior da própria vida.
Disciplina – cada vegetal produz um só fruto específico. Existem infinitas qualidades de frutos, todavia a laranjeira somente distribui laranjas.
Valor – cada fruto varia quanto às próprias qualidades. A laranja pode ser doce ou azeda, volumosa ou diminuta, seca ou suculenta.
Antes de o homem surgir na superfície do Planeta, o vegetal, há muito, seguia as leis existentes.
Como usufrutuários do Universo, saibamos, assim, que toda ação humana contrária à Natureza constitui caminho a sofrimento.
Retiremos dos cenários naturais as lições indispensáveis à nossa vida.
Somos interdependentes.
Não vivemos em paz sem construir a paz dos outros.
Temos funções específicas.
Existimos para colaborar no progresso da Criação, edificando o bem para todas as criaturas.
Carecemos de disciplina.
Sem método em nossos atos, não demandaremos a luz da frente.
Somos valorizados pelas leis divinas.
Valemos o preço das nossas ações, em qualquer atividade, onde estivermos.”

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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. Capítulo 33 “Curiosas observações”, pp. 190-191:

“Identifiquei a caravana que avançava em nossa direção, sob a claridade branda do céu. De repente, ouvi o ladrar de cães, a grande distância.
– Que é isso? – interroguei assombrado.
– Os cães – disse Narcisa – são auxiliares preciosos nas regiões obscuras do Umbral, onde não estacionam somente os homens desencarnados, mas também verdadeiros monstros, que não cabe agora descrever.
[…]

Seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e barulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros produzindo ruídos singulares.
Dirigi-me, incontinente, a Narcisa, perguntando:
– Onde o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?
Dizendo-me que não, indaguei das razões.
Sempre atenciosa, a enfermeira explicou:

– Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino, mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição. Além disso, em muitos casos, não se pode prescindir da colaboração dos animais.
– Como assim? – perguntei surpreso.

– Os cães facilitam o trabalho, os muares suportam cargas pacientemente e fornecem calor nas zonas onde se faça necessário; e aquelas aves – acrescentou, indicando-as no espaço –, que denominamos íbis viajores, são excelentes auxiliares dos Samaritanos, por devorarem as formas mentais odiosas e perversas, entrando em luta franca com as trevas umbralinas.
Vinha, agora, mais próxima a caravana.
Narcisa fixou-me com bondosa atenção, rematando:
– Mas, no momento, o dever não comporta minudências informativas. Poderá colher valiosas lições sobre os animais, não aqui, mas no Ministério do Esclarecimento, onde se localizam os parques de estudo e experimentação.”

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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Os Mensageiros. 47 ed. 6 imp. Brasília: FEB, 2016. 326 p. Capítulo 41 “Entre árvores”, pp. 252-253:

“E como dirigisse o olhar a Aniceto, desejando aprovação, nosso orientador afirmou:
– Auxiliemos o homem, quanto esteja em nossas mãos, cumpramos nosso dever com o bem, mas não desprezemos as lições. Esse trabalhador imprudente foi punido por si mesmo. A cólera é punida por suas consequências. Ao mal segue-se o mal. Se os seres inferiores, nossos irmãos no grande lar da vida, nos fornecem os valores do serviço, devemos dar-lhes, por nossa vez, os valores da educação. Ora, ninguém pode educar odiando, nem edificar algo de útil com a fúria e a brutalidade.
E indicando o grupo que conduzia o ferido a uma casa próxima, concluiu imperturbável:
– Como homem comum, nosso pobre amigo sofrerá muitos dias, chumbado ao leito; entre as aflições dos familiares, demorar-se-á um tanto a restabelecer o equilíbrio orgânico; mas, como Espírito eterno, recebeu agora uma lição útil e necessária.
Altamente surpreendido, reparei na grande serenidade do nosso orientador e comecei a compreender que ninguém desrespeita a Natureza sem o doloroso choque de retorno, a todo tempo.”

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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Ação e Reação. 30 ed. 4 imp. Brasília: FEB, 2015. 303 p. Capítulo 4 “Alguns recém-desencarnados”, pp. 49:

“O companheiro que se dispusera a assistir-nos informou que as entidades prestes a entrar integravam uma equipe de 19 pessoas, acompanhadas por dez servidores da casa, que lhes orientavam a excursão, tratando-se de recém-desencarnados em desequilíbrio mental, mas credores de imediata assistência, uma vez que não se achavam em desesperação, nem se haviam comprometido de todo com as forças dominantes nas trevas. Notificou, ainda, que a caravana se constituía de trabalhadores especializados, sob a chefia de um atendente, e que viajavam com simplicidade, sem carros de estilo, apenas conduzindo o material indispensável à locomoção no pesado ambiente das sombras, auxiliados por alguns cães inteligentes e prestimosos.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Ação e Reação. 30 ed. 4 imp. Brasília: FEB, 2015. 303 p. Capítulo 5 “Almas enfermiças”, pp. 63-64:

“Nossa conversação foi interrompida de imediato, à frente de pequena casa a confundir-se com o nevoeiro, de cujo interior brotava reconfortante jorro de luz.
Cães enormes que podíamos divisar cá fora, na faixa de claridade bruxuleante, ganiam de estranho modo, sentindo-nos a presença.
De súbito, um companheiro de alto porte e rude aspecto apareceu e saudou-nos da diminuta cancela que nos separava do limiar, abrindo-nos passagem.
Silas no-lo apresentou alegremente.
Era Orzil, um dos guardas da Mansão, em serviço nas sombras.
A breves instantes, achávamo-nos na intimidade de pouso tépido.
Aos ralhos do guardião, dois dos seis grandes cães acomodaram-se junto de nós, deitando-se-nos aos pés.”

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XAVIER, F. C.; VIEIRA, W.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Mecanismos da Mediunidade. 28 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2016. 183 p. Capítulo 26 “Jesus e mediunidade”, item “Divina mediunidade”, pp. 161:

“Desde a chegada do excelso Benfeitor ao planeta, observa-se-lhe o pensamento sublime penetrando o pensamento da Humanidade.
Dir-se-ia que no estábulo se reúnem pedras e arbustos, animais e criaturas humanas, representando os diversos reinos da evolução terrestre, para receber-lhe o primeiro toque mental de aprimoramento e beleza.”

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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Sinal Verde. São Paulo: PETIT, 2004. Capítulo 48 “Imprevistos durante visitas”, pp. 139:

“Nunca prorromper em gritos ou exclamações se um inseto ou algum pequeno animal surge à vista.”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante os animais”, pp. 89-90:

“Esquivar-se de qualquer tirania sobre a vida animal, não agindo com exigências descabidas para a satisfação de caprichos alimentares nem com requintes condenáveis em pesquisas laboratoriais, restringindo-se tão somente às necessidades naturais da vida e aos impositivos justos do bem.”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 34 “Perante o corpo”, pp. 91-92:

“Fugir de alimentar-se em excesso e evitar a ingestão sistemática de condimentos e excitantes, buscando tomar as refeições com calma e serenidade.
Grande número de criaturas humanas deixa prematuramente o plano terrestre pelos erros do estômago.”

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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. 64 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2015. 319 p. Capítulo 9 “Problema de alimentação”, pp. 55-58:

“Encorajados pela rebeldia dos cooperadores do Esclarecimento, os Espíritos menos elevados que ali se recolhiam entregaram-se a condenáveis manifestações. Tudo isso provocou enormes cisões nos órgãos coletivos de Nosso Lar, dando ensejo a perigoso assalto das multidões obscuras do Umbral, que tentaram invadir a cidade, aproveitando brechas nos serviços de Regeneração, em que grande número de colaboradores entretinha certo intercâmbio clandestino, em virtude dos vícios de alimentação.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Os Mensageiros. 47 ed. 6 imp. Brasília: FEB, 2016. 326 p. Capítulo 42 “Evangelho no ambiente rural”, pp. 255-259, pelo benfeitor Aniceto:

“Há milênios a Natureza espera a compreensão dos homens. Não se tem alimentado tão somente de esperança, mas vive em ardente expectação, aguardando o entendimento e o auxílio dos Espíritos encarnados na Terra, mais propriamente considerados filhos de Deus. Entretanto, as forças naturais continuam sofrendo a opressão de todas as vaidades humanas. Isso, porém, ocorre, meus amigos, porque também o Senhor tem esperança na libertação dos seres escravizados na crosta, para que se verifique igualmente a liberdade na glória do homem. Conheço-vos de perto os sacrifícios, abnegados trabalhadores espirituais do solo terrestre! Muitos de vós aqui permaneceis, como em múltiplas regiões do planeta, ajudando a companheiros encarnados, acorrentados às ilusões da ganância de ordem material. Quantas vezes vosso auxílio é convertido em baixas explorações no campo dos negócios terrestres? A maioria dos cultivadores da terra tudo exige sem nada oferecer. Enquanto zelais, cuidadosamente, pela manutenção das bases da vida, tendes visto a civilização funcionando qual vigorosa máquina de triturar, convertendo-se os homens, nossos irmãos, em pequenos Moloques de pão, carne e vinho, absolutamente mergulhados na viciação dos sentimentos e nos excessos da alimentação, despreocupados do imenso débito para com a Natureza amorável e generosa. Eles oprimem as criaturas inferiores, ferem as forças benfeitoras da vida, são ingratos para com as fontes do bem, atendem às indústrias ruralistas, mais pela vaidade e ambição de ganhar (…)
Auxiliemo-lo a compreender, para que se organize uma era nova. Auxiliemo-lo a amar a terra, antes de explorá-la no sentido inferior, a valer-se da cooperação dos animais, sem os recursos do extermínio! Nessa época, o matadouro será convertido em local de cooperação, onde o homem atenderá aos seres inferiores e onde estes atenderão às necessidades do homem (…)
Observamos com o Evangelho que a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos (considerados) filhos de Deus encarnados! Concordamos que as criaturas inferiores têm suportado o peso de iniquidades imensas! Continuemos em auxílio delas, mas não nos percamos em vãs contendas. Os homens esperam também a nossa manifestação espiritual! Desse modo, ajudemos a todos, no capítulo do grande entendimento.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 382 p. Capítulo 4 “Vampirismo”, pp. 42-46, pelo benfeitor Alexandre:

“Entre abusos do sexo e da alimentação, desde os anos mais tenros, nada mais fazíamos que desenvolver as tendências inferiores, cristalizando hábitos malignos. Seria, pois, de admirar tantas moléstias do corpo e degenerescências psíquicas? O plano superior jamais nega recursos aos necessitados de toda ordem e, valendo-se dos mínimos ensejos, auxilia os irmãos de humanidade na restauração de seus patrimônios, seja cooperando com a Natureza, seja inspirando a descoberta de novas fontes medicamentosas e reparadoras.
(…)
– Por que tamanha estranheza? – perguntou o cuidadoso orientador – e nós outros, quando na esfera da carne? Nossas mesas não se mantinham à custa das vísceras dos touros e das aves? A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Sugávamos os tecidos musculares, roíamos os ossos. Não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatávamos os requintes da exploração milenária e infligíamos a muitos deles determinadas moléstias para que nos servissem ao paladar, com a máxima eficiência. O suíno comum era localizado por nós, em regime de ceva, e o pobre animal, muita vez à custa de resíduos, devia criar, para nosso uso, certas reservas de gordura, até que se prostrasse, de todo, ao peso de banhas doentias e abundantes. Colocávamos os gansos nas engordadeiras para que hipertrofiassem o fígado, de modo a obtermos pastas substanciosas destinadas a quitutes que ficaram famosos, despreocupados das faltas cometidas com a suposta vantagem de enriquecer os valores culinários. Em nada nos doía o quadro comovente das vacas-mães, em direção ao matadouro, para que nossas panelas transpirassem agradavelmente. Encarecíamos, com toda a responsabilidade da Ciência, a necessidade de proteínas e gorduras diversas, mas esquecíamos de que a nossa inteligência, tão fértil na descoberta de comodidade e conforto, teria recursos de encontrar novos elementos e meios de incentivar os suprimentos proteicos ao organismo, sem recorrer às indústrias da morte. Esquecíamos de que o aumento dos laticínios, para enriquecimento da alimentação, constitui elevada tarefa, porque tempos virão para a humanidade terrestre, em que o estábulo, como o lar, será também sagrado.
(…)
– André, meu caro – falou Alexandre benevolente –, devemos afirmar a verdade, embora contra nós mesmos. Em todos os setores da Criação, Deus, nosso Pai, colocou os superiores e os inferiores para o trabalho de evolução, por meio da colaboração e do amor, da administração e da obediência. Atrever-nos-íamos a declarar, porventura, que fomos bons para os seres que nos eram inferiores? Não lhes devastávamos a vida, personificando diabólicas figuras em seus caminhos?
(…)
Os seres inferiores e necessitados do planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da Natureza, mas fogem desesperadamente, à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, por confiar em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão. Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como germes frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusamos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?
(…)
– Os problemas são nossos – esclareceu o generoso amigo tranquilamente –, não nos cabe condenar a ninguém. Abandonando as faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é de amparar o inferior e educá-lo. E os nossos abusos para com a Natureza estão cristalizados em todos os países, há muitos séculos. Não podemos renovar os sistemas econômicos dos povos, de um momento para outro, nem substituir os hábitos arraigados e viciosos de alimentação imprópria, de maneira repentina. Refletem eles, igualmente, nossos erros multimilenários; mas, na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais com espírito de educação, respeito e entendimento.
(…)
– Semelhante realização é de importância essencial na vida humana, porque, sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos superiores; sem respeito para com os outros, não devemos esperar o respeito alheio. Se temos sido vampiros insaciáveis dos seres frágeis que nos cercam, entre as formas terrenas, abusando de nosso poder racional ante a fraqueza da inteligência deles, não é demais que, por força da animalidade que conserva desveladamente, venha a cair a maioria das criaturas em situações enfermiças pelo vampirismo das entidades que lhes são afins, na esfera invisível.
Os esclarecimentos de Alexandre, ministrados sem presunção e sem crítica, penetravam-me fundo. Algo de novo despertava-me o ser. Era o espírito de veneração por todas as coisas, o reconhecimento efetivo do paternal poder do Senhor do Universo.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 382 p. Capítulo 11 “Intercessão”, pp. 143-145:

“Pelas vibrações ambientes, reconheci que o lugar era dos mais desagradáveis que conhecera, até então, em minha nova fase de esforço espiritual. Seguindo Alexandre muito de perto, via numerosos grupos de entidades francamente inferiores que se alojavam aqui e ali. Diante do local em que se processava a matança dos bovinos, percebi um quadro estarrecedor. Grande número de desencarnados, em lastimáveis condições, atirava-se aos borbotões de sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora…
(…)
Não visitamos, nós ambos, na esfera da crosta, os açougues mais diversos? Lembro-me de que em meu antigo lar terrestre havia sempre grande contentamento familiar pela matança dos porcos. A carcaça de carne e gordura significava abundância da cozinha e conforto do estômago. Com o mesmo direito, acercam-se os desencarnados, tão inferiores quanto já o fomos, dos animais mortos, cujo sangue fumegante lhes oferece vigorosos elementos vitais.”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante os animais”, pp. 89-90:

“No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor.”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 32 “Perante a natureza”, pp. 87-88:

“De alma agradecida e serena, abençoar a Natureza que o acalenta, protegendo, quanto possível, todos os seres e todas as coisas na região em que respire”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante a natureza”, pp. 87-88:

“O respeito à Criação constitui simples dever”
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VIEIRA, W. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Conduta espírita. 32 ed. 7 imp. Brasília: FEB, 2017. 118 p. Capítulo 33 “Perante os animais”, pp. 89-90:

“Apoiar, quanto possível, os movimentos e organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Os mensageiros. 47 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2014. 326 p. Capítulo 1 “Renovação”, pp. 12-13:

“Somente agora, percebia quão distanciado vivera das leis sublimes que regem a evolução das criaturas. A Natureza recebia-me com transportes de amor. Suas vozes, agora, eram muito mais altas que as dos meus interesses isolados. Conquistava, pouco a pouco, o júbilo de escutar-lhe os ensinamentos misteriosos no grande silêncio das coisas. Os elementos mais simples adquiriam, a meus olhos, extraordinária significação. […] O rumor das asas de um pássaro, o sussurro do vento e a luz do Sol pareciam dirigir-se à minhalma, enchendo-me o pensamento de prodigiosa harmonia.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Entre a Terra e o Céu. 27 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. 302 p. Capítulo 5 “Valiosos apontamentos”, pp. 32:

“– O oceano é miraculoso reservatório de forças – elucidou Clarêncio, de maneira expressiva –; até aqui, muitos companheiros de nosso plano trazem os irmãos doentes, ainda ligados ao corpo da Terra, de modo a receberem refazimento e repouso. Enfermeiros e amigos desencarnados desvelam-se na reconstituição das energias de seus tutelados. Qual acontece na montanha arborizada, a atmosfera marinha permanece impregnada por infinitos recursos de vitalidade da Natureza.”
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XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. 64 ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2014. 319 p. Capítulo 50 “Cidadão de Nosso Lar”, pp. 289-290:

“Recordei que a senhora Laura, certa feita, me afirmara que toda criatura, no testemunho, deve proceder como a abelha, acercando-se das flores da vida, que são as almas nobres, no campo das lembranças, extraindo de cada uma a substância dos bons exemplos, para adquirir o mel da sabedoria.”

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AUGUSTO CEZAR NETTO

XAVIER, F. C.; AUGUSTO CEZAR NETTO (Espírito). Augusto vive. Capítulo “Filho adotivo”:

“A senhora aceitou a decisão do esposo, mas vem adiando a adoção definitiva.
E, com isso, a prezada irmã, há dois anos, tem no lar um rapazinho difícil, complicado e rebelde.
Além da pedreira de inquietações que lhe impõe, parece um flagelo para os vizinhos.
Aborrece crianças, espanca animais, destrói plantas e apedreja vidraças. Expressa-se em palavrões que lhe estragam as horas e tem horror ao banho, persistindo em manter a cabeleira em labirinto. O esposo, dedicado ao escritório, não lhe acompanha os momentos difíceis quando a senhora lhe expõe os seus cuidados, ei-lo a lhe pedir paciência e tolerância.”
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BATUÍRA

XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Escultores de almas. Capítulo “Cooperação encadeada” (Espírito Batuíra):

“Compreendei e amai sempre, transmitindo os vossos recursos de amor a todos os seres da Criação.”
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CASIMIRO CUNHA

XAVIER, F. C.; CASIMIRO CUNHA (Espírito). Cartas do Evangelho. Capítulo “Carta aos homens do campo”:

“Meu irmão, se o teu trabalho,
É o trato amigo da terra,
Vive a grandeza sublime
Que a tua missão encerra.
Nunca invejes a cidade
Tanta vez desiludida…
O ar puro do campo
É a santa essência da vida.
Busca os livros, mas conserva
A tua realidade,
Sabendo que a natureza
É o livro da Eternidade.
O mundo se perde agora
Em treva e desolação,
Nos males vindos do excesso
Dos vícios de educação.
Há no céu quem não te esquece.
Cultiva o teu campo em flor
O mundo não viveria
Sem tua quota de amor.
Conserva e ama a paisagem
Onde o teu sonho nasceu.
A terra bondosa e farta
É outra mãe que Deus te deu.
Borda o teu campo de estradas,
Semeia o teu caminho…
Seja o teu sítio uma escola
De amor, de aço, de carinho.
Que os teus feitos de trabalho

Sejam tantos e tamanhos,
Que se reflitam na estrada
Da vida de teus rebanhos.
Se os animais colaboram
Nas fontes de produção,
São eles os companheiros
De tua realização.
Protege-os, sempre que possas.
Ouve e guarda o que te peço.
Os animais, igualmente,
Têm suas leis de progresso.
Trabalha, educando os teus.
Educa e triunfarás.

Teu exemplo ensina ao mundo
O santo esforço da paz.
Hoje, as ciências terrestres
Por vezes, causam tristeza,
Mas, tu conservas o mundo
Com as luzes da natureza.
O Cristo não te abandona
Com a paz de Seu coração,
Pois transformas no caminho
As Suas bênçãos em pão.

Irmão da simplicidade,
Deus te abençoe, lavrador!…
O teu celeiro está farto
De luz, de paz e de amor.”

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XAVIER, F. C.; CASIMIRO CUNHA (Espírito). História de Maricota. Capítulo “Maldosa”:

“Atacava os cães amigos
A vozerio e pancadas;
Tratava todo gatinho
A brasa viva ou pedradas.
Se avistava a palha seca

Da casa dos passarinhos,
Não hesitava um minuto:
Vibrava golpes nos ninhos.
Matava filhotes tenros
Com grosseria sem-nome;
Prendia as aves canoras,
Exterminando-as à fome.
Se passava no terreiro,
A galinhada fugia,
Sabendo que Maricota
Vibrava pancadaria.”

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XAVIER, F. C.; CASIMIRO CUNHA (Espírito). Cartas do Evangelho. Capítulo “Carta aos cientistas”:

“Procura ver na oficina
Que chamas de “natureza”
A providência Divina
Irradiando a beleza.”

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XAVIER, F. C.; CASIMIRO CUNHA (Espírito). Cartilha da Natureza: A Criação. Rio de Janeiro: FEB, 2008. 96 p. Capítulo “Os animais”, pp. 25:

“Na casa da Natureza, o Pai espalhou com arte as bênçãos de luz da vida, que brilham em toda a parte.
Essas bênçãos generosas, tão ricas, tão naturais, são notas de amor divino na esfera dos animais.
Não te esqueças: no caminho, praticando o bem que adores, busca ver em todos eles os nossos irmãos menores.
A Providência dos Céus jamais esquece a ninguém; Deus que é Pai dos homens sábios é Pai do animal também.
A única diferença, em nossa situação, é que o animal não chegou às vitórias da Razão.
Entretanto, observamos em toda a sua existência os princípios sacrossantos de amor e de inteligência.
Vejamos a abelha amiga no grande armazém do mel, a galinha afetuosa, o esforço do cão fiel.
O boi tão útil a todos, é bondade e temperança; o muar de força hercúlea obedece a uma criança.
Ampara-os, sempre que possas nas horas de tua lida.
O animal de tua casa tem laços com tua vida.

A lei é conjunto eterno de deveres fraternais: Os anjos cuidam dos homens, os homens dos animais.”
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CORNÉLIO PIRES

XAVIER, F. C.; CORNÉLIO PIRES (Espírito). Baú de casos. Capítulo “Provas e calamidades”:

“Medite nos animais
Que sofrem no dia-a-dia,
Para que o prato lhe seja
Um transmissor de alegria.”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Saudação do natal. Capítulo “A ceia ecológica” (Espírito Cornélio Pires):

“Conversas sobre conversas
Por trás de assunto sem lógica
Disse-me Ilídio: “Amanhã
Vamos à ceia ecológica.
Você seguirá comigo?”
Pronto, assumi a promessa.
Ilídio é um bom amigo,
Mas que ceia será essa?
“Não deve seguir sozinho,”
Prosseguiu ele,
“Antes da ceia em caminho.”
No outro dia despertei
De ouvidos fenomenais
Estava escutando as pedras,
As plantas e os animais.
Ilídio veio buscar-me
E, no carro em que seguia,
Notei que outro era o rumo
Além da periferia.
Desdobrando-se o caminho,
Vimos nós um casarão…
O amigo esclareceu:
“É a casa do tio Adão.”
Avançamos e nos vimos
Em meio de algumas roças
E notamos o barulho
De peões, carros, carroças…
Ilídio parou o carro e descemos,
Era um desfile esperado,
Animais vinham chegando
Seguindo por nosso lado.
Na frente vinha um cabrito
Gritando: “Morra o churrasco!…
Não desejo festa alguma,
Não quero ver o carrasco!…”
Num caminhão certa vaca
Mascava feno em restolho.
Dizia ao boi que a seguia:
“Meu velho, fique de olho!”
Ao lado vinham dois perus,
Um deles fala: “É demais”
E o outro: “Eu também bebi,
Da cachaça do Moraes”.
Num caminhão, a galinha,
Cercada de frangos novos,
Prosava para a festança…
“Já dei os meus belos ovos.”
Grande fêmea de um suíno,
Seguindo frágil leitoa,
Rogava: “Não maltratem minha
Filha, que é tão boa…”
Dois coelhos numa gaiola
Cochichavam entre si:
“Não fosse a corda no pé,
Sairíamos daqui.”
Num planalto assaz pequeno
O aroma de um cajueiro;
Lá longe ia a parada
Dominando o espaço inteiro.
No pátio, o chefão chegou
E passou a esfaquear,
A turma toda apavorada
Pôs-se a gemer e a gritar.
Vendo o sangue, emocionei-me;
Não podia ver aquilo,
Queria voltar à casa,
A fim de ficar tranquilo.
Fui a Ilídio e, com franqueza,
Não podia suportar,
Aquela cena de dor,
Queria a paz do meu lar.
Ilídio riu-se e falou:
“Cornélio, nunca supus
Que você fuja de festa
Para as obras de Jesus.”
E então, desorientado,
Fiquei sabendo, afinal,
Que a ceia da ecologia
Era a festa do Natal.”
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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Os dois maiores amores. Poesia do Espírito Cornélio Pires:

“Natal!… Jesus mostra a face!…
Canta o mundo de alegria…
Natal!… Se o peru falasse
Não se sabe o que diria.”

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XAVIER, F. C.; CORNÉLIO PIRES. Degraus da vida. Mensagem “Somos de Deus”:

“Palavras, mundos, sistemas,
Seres nobres e plebeus,
Animais, insetos, plantas…
Nós todos somos de Deus.”

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EMMANUEL

XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Escrínio de luz. Capítulo “Serviço”:

“Sofre o animal em holocausto para que o homem se reconforte.”
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XAVIER, F. C.; VIEIRA, W.; EMMANUEL (Espírito); ANDRÉ LUIZ (Espírito). Estude e viva. Capítulo “Não retardes o bem”:

“O animal, em sistema de compulsória, oferece cooperação ao homem, através do suor em que se consome.”
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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Caminhos de volta. Capítulo “Vocação dos filhos” (Espírito Emmanuel):

“Ouve com bondade os filhos que te nasceram do amor para que lhes aprendas a vocação genuína.
Este terá vindo para a organização da família; outro precisará do celibato, de modo a realizar-se em determinadas qualidades de espírito; aquele te desfruta a companhia procurando realizações científicas que lhe premiarão a inteligência, no longo esforço talvez encetado há várias encarnações ; aquele outro te compartilha o plano familiar para o amanho da gleba, empenhando esperanças e sonhos no serviço do campo; outro ainda te abordou a equipe doméstica tentando realizações artísticas, e outro ainda se te incorporou à consanguinidade com o ideal de proteger a natureza e salvaguardar os animais.”

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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Levantar e seguir. 1 ed. São Paulo: GEEM, 1992. 94 p. Capítulo “Falsos profetas”, pp. 59:

“A natureza é o livro sublime da vida.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Viajor. Aprendendo com a Natureza:

“O ensinamento do Mestre, no que tange à tolerância e ao amor para com o adversário, é lição viva nas esferas mais simples da Natureza.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.2. “Física”, questão 17, pp. 25:

“A natureza é onde a inteligência divina se manifesta.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.3. “Biologia”, questão 27, pp. 29:

“A natureza é sempre o Livro divino, onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 72, pp. 56-57:

“Na Terra, sem que haja qualquer sacrifício de vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há renegado em todos os tempos.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 77, pp. 58-59:

“Amai as árvores e tende cuidado com o campo, onde florescem as bênçãos do céu.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Fonte viva. Capítulo “Ante o sublime”:

“Existem expressões no Evangelho que, à maneira de flores a se salientarem num ramo divino, devem ser retiradas do conjunto para que nos deslumbremos até o seu brilho e perfume peculiares.
A voz celeste, que se dirige a Simão Pedro, nos Atos, abrange horizontes muito mais vastos que o problema individual do apóstolo.
O homem comum está rodeado de glórias na Terra, entretanto, considera-se num campo de vulgaridades, incapaz de valorizar as riquezas que o cercam.
Cego diante do espetáculo soberbo da vida que lhe emoldura o desenvolvimento, tripudia sobre as preciosidades do mundo, sem meditar no paciente esforço dos séculos que a Sabedoria Infinita utilizou no aperfeiçoamento e na seleção dos valores que o rodeiam.
Quantos milênios terá exigido a formação da rocha?
Quantos ingredientes se harmonizam na elaboração de um simples raio de sol?
Quantos óbices foram vencidos para que a flor se materializasse?
Quanto esforço custou a domesticação das árvores e dos animais?
Quantos séculos terá empregado a Paciência do Céu na estruturação complexa da máquina orgânica em que o Espírito encarnado se manifesta?
A razão é luz gradativa, diante do sublime.
Não te esqueças, meu irmão, de que o Senhor te situou a experiência terrestre num verdadeiro paraíso, onde a semente minúscula retribui na média do infinito por um e onde águas e flores, solo e atmosfera te convidam a produzir, em favor da multiplicação dos Tesouros Eternos.
Cada dia, louva o Senhor que te agraciou com as oportunidades valiosas e com os dons divinos.
Pensa, estuda, trabalha e serve.
Não suponhas comum o que Deus purificou e engrandeceu.”
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XAVIER, F. C; EMMANUEL (Espírito). Palavras de vida eterna. 35 ed. Uberaba: CEC, 2010. 384 p. Capítulo 134 “Pão”, pp 284:

“As mesas festivas, em todas as épocas, banqueteiam-se com viandas exóticas.
Condimentação excitante, misturas complicadas, confeitos extravagantes, grande cópia de animais sacrificados.”
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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Doutrina – escola. Capítulo “Jesus e estudo (I)” (Espírito Emmanuel):

“Decerto, mostrava o Senhor, desde cedo, acendrado amor pelas criaturas.
Na intimidade do lar, em Nazaré, muita vez teria conduzido ao carinho maternal esse ou aquele faminto da estrada ou um ou outro animal doente…”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Esperança e luz. Capítulo “Perdão sempre ” (Espírito Emmanuel):

“Se queremos a paz com os animais, respeitemo-los como aspiramos ser por eles respeitados.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Alma e luz. Capítulo “O maior mandamento”:

“Ama a Deus, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento! – eis o maior mandamento”, proclamou o Senhor. Entretanto, perguntarás, como amarei a Deus que se encontra longe de mim?
Cala, porém, as tuas indagações e recorda que, se os pais e as mães do mundo vibram na experiência dos filhos, se o artista está invisível em suas obras, também Deus permanece em suas criaturas.
Lembra que, se deves esperar por Deus onde te encontras, Deus igualmente espera por ti em todos os ângulos do caminho.
Ele é o Todo em que nos movemos e existimos.
Escuta a Lei Sublime do Bem e vê-Lo-ás sofrendo no irmão enfermo, esperando por tuas mãos; necessitado, no coração ignorante que te pede um raio de luz; aflito, na criancinha sem lar que te estende os braços súplices, rogando abrigo e consolação; ansioso, no companheiro agonizante que te implora a bênção de uma prece que o acalente para a viagem enorme; inquieto, no coração das mães que te pedem proteção para os filhinhos infelizes e expectante, nas páginas vivas da Natureza, aguardando a tua piedade para as árvores despejadas, para as fontes poluídas, para as aves sem ninho ou para os animais desamparados e doentes.
Amemos ao próximo com toda a alma e com todo o coração e estaremos amando ao Senhor com as forças mais nobres de nossa vida.
Compreende e auxilia sempre…
Serve e passa…
Quem se faz útil, auxilia a construção do Reino Divino na Terra e quem realmente ama a Deus, sacrifica-se pelo próximo, fazendo a vida aperfeiçoar-se e brilhar.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Canais da vida. Capítulo “Ante o apelo cristão”:

“Poderá ser o amigo dos animais e das árvores, o preservador das fontes e do defensor das sementes que sustentarão o celeiro de amanhã.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Dinheiro. Capítulo “Estudando o dinheiro”:

“O ouro com Jesus é bálsamo na úlcera do enfermo, é gota de leite à criança desvalida, é remédio ao doente, é agasalho aos que tremem de frio, é socorro no lar sitiado pelo infortúnio, é assistência aos braços que suplicam atividade digna, é amparo aos animais e proteção à natureza.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Confia e segue. Capítulo “Fonte oculta”:

“A paz, por isso, tão ardentemente anelada, é comparável a uma cobertura, entretecida com fragmentos de alegria, como sejam: O retorno de uma pessoa querida, ausente desde muito; O reajuste do equilíbrio orgânico; A satisfação das dívidas pagas; O abraço de um amigo; Uma carta, mensageira de reconforto; Alguns momentos de convívio com a Natureza; A visão do azul no firmamento; A presença de uma criança; O sorriso de alguém; O carinho de um animal que nos partilhe o ambiente; Os momentos de oração.
A paz que jamais se compra é uma luz interior que nos clareia o caminho para o encontro do melhor que Deus nos reserva; entretanto, estejamos convencidos de que nas bases da consciência tranquila, em que a paz encontra nascedouro, jaz a fonte oculta da paciência.”

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XAVIER, F. C.; Espíritos Diversos. Marcas do caminho. Capítulo “Grande conta” (Emmanuel):

“Alonga a memória para além do minuto em que apareceste na Terra e reconhecerás que as concessões do Senhor te revestem todos os passos e te assinalam todos os lances da rota.
Não possuías senão a nudez da própria alma e não trazias senão a própria herança que o passado te imprimira no ser…
Entretanto, senhoreaste o vaso orgânico que te vestiria em nova forma de carne…
Sugaste o leite materno…
Ocupaste os panos do berço…
Exigiste permanente atenção…
Reclamaste alimento e remédio…
Solicitaste alheio apoio para que te retirasses da infância…
Absorveste o tempo da escola…

Pediste o concurso da natureza…
Aprisionaste animais – criaturas também de Deus – para que te ofertem suor e sangue…
Em cada instante na Terra equilibras-te, em verdade, sobre o sacrifício de milhões de braços que se entrelaçam para servir-te, levantando-te o ninho doméstico, tecendo-te a indumentária, garantindo-te a higiene, assegurando-te o bem estar e temperando-te o pão…
És o depositário do favor de vasta multidão em cada senda que pisas, em cada edifício que transpões, em cada veículo que te acolhe, em cada refeição que te reajusta…
Acreditas, não raro, que o dinheiro, também haurido por tuas mãos em penhor de empréstimo da Providência Divina, te resgata a conduta na Lei, perante a qual todos nós somos devedores por enquanto insolventes…

Todavia, não desdenhes estender o amor infatigável, através da renúncia ao teu próprio conforto, ajudando e servindo, hoje, agora e amanhã, porque a morte virá por meirinho seguro, mostrar-te a Grande Conta, a fim de que te informes que nasceste no mundo somente para o bem, e que somente o bem é capaz de elevar-te, em santa plenitude de quitação com a vida para a glória da luz sublimada e sem fim.”
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XAVIER, F. C.; VIEIRA, W.; EMMANUEL (Espírito); ANDRÉ LUIZ (Espírito). Opinião espírita. Capítulo “Ao companheiro espírita”:

“Para nascer, socorreu-se da hospitalidade dos animais.”
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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Escultores de almas. Capítulo “Caridade” (Espírito Emmanuel):

“Caridade será tolerar com paciência o parente necessitado, respeitar as dificuldades do vizinho sem comentá-las, amparar a criança tresmalhada na rua ou socorrer a um animal doente.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Paciência. Capítulo “Indicações da Paz”:

Perante a Eterna Sabedoria, todos estamos interligados, – as pedras e as flores, os animais e os homens, os anjos e os astros, – numa cadeia de amor infinito.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 78, pp. 59:

“É justo que os homens procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob o seu cuidado amigo.”
[…]
Os reinos da natureza estão mais sob a responsabilidade direta dos homens que propriamente dos Espíritos, razão por que responderão perante as Leis divinas pelo que fizeram, em consciência, com os patrimônios da natureza terrestre.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 79, pp. 59:

“Considerando que os animais igualmente possuem diante do tempo, um porvir de fecundas realizações, através de numerosas experiências, chegarão, um dia, ao chamado reino hominal.
[…]
Busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível.
[…]
Busquemos reconhecer a infinitude de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal.”

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XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Antologia da criança. Capítulo “Oração da criança” (Espírito Emmanuel):

“[…] Ensina-me a descobrir o bem, onde estiver.
Não me afastes de Deus e ajude-me a conservar o amor e o respeito que devo às pessoas, aos animais e às coisas que me cercam.”

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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Fonte viva. Capítulo “União fraternal”:

“[…] Não nos esqueçamos de que a unidade espiritual é serviço básico da paz.
Observas o irmão que se devota às crianças?
Reparas o companheiro que se dispôs a ajudar aos doentes?
Identificas o cuidado daquele que se fez o amigo dos velhos e dos jovens?
Assinalas o esforço de quem se consagrou ao aprimoramento do solo ou à educação dos animais?
Aprecias o serviço daquele que se converteu em doutrinador na extensão do bem?
Honra a cada um deles, com o teu gesto de compreensão e serenidade, convencido de que só pelas raízes do entendimento pode sustentar-se a árvore da união fraterna, que todos ambicionamos robusta e farta.
Não admitas que os outros estejam enxergando a vida através de teus olhos.
A evolução é escada infinita. Cada qual abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca.
Aproxima-te de cada servidor do bem, oferecendo-lhe o melhor que puderes, e ele te responderá com a sua melhor parte.”

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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Viajor. Aprendendo com a Natureza:

“O ensinamento do Mestre, no que tange à tolerância e ao amor para com o adversário, é lição viva nas esferas mais simples da Natureza.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.2. “Física”, questão 17, pp. 25:

“A natureza é onde a inteligência divina se manifesta.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.3. “Biologia”, questão 28, pp. 30:

“Em todos os reinos da natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo divino da Criação infinita; e, no quadro sem-fim do trabalho da experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagrados para a vida imortal.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 72, pp. 56-57:

“Na Terra, sem que haja qualquer sacrifício de vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há renegado em todos os tempos.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.3. “Ciências especializadas”, questão 77, pp. 58-59:

“Amai as árvores e tende cuidado com o campo, onde florescem as bênçãos do céu.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Caminho, Verdade e Vida. Capítulo “Por Amor”:

“Os planos mais humildes da Natureza revelam a Providência Divina, em soberana expressão de desvelo e amor.
Os lírios não tecem, as aves não guardam provisões e misteriosa força fornece-lhes o necessário.
A observação sobre a vida dos animais demonstra os extremos de ternura com que o Pai vela pela Criação desde o princípio: aqui, uma asa; acolá, um dente a mais; ali, desconhecido poder de defesa.
Afirma-se a grande revelação de amor em tudo.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Roteiro. Capítulo “Mediunidade”:

“Dos círculos mais baixos aos mais elevados da vida, existem entidades angélicas, humanas e sub-humanas, agindo através da inteligência encarnada, estimulando o progresso o divinizando experiências, brunindo caracteres ou sustentando abençoadas reparações, protegendo a natureza e garantindo as leis que nos governam.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Emmanuel. 28 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2016. 208 p. Capítulo 17 “Sobre os animais”, pp. 109-113:

“Se bem haja no próprio círculo dos estudiosos dos espaços o grupo dos opositores das grandes ideias sobre o evolucionismo do princípio espiritual através das espécies, sou dos que o estudam, atenta e carinhosamente.
Eminentes naturalistas do mundo, como Charles Darwin, vislumbram grandiosas verdades, levando a efeito preciosos estudos, os quais, aliás, se prejudicaram pelo excessivo apego à Ciência terrena, que se modifica e se transforma, com os próprios homens; e, dentro das minhas experiências, posso afirmar, sem laivos de dogmatismo, que, oriundos na flora microbiana, em séculos remotíssimos, não poderemos precisar onde se encontra o acume das espécies ou da escala dos seres, no pentagrama universal. E como o objetivo desta palestra é o estudo dos animais, nossos irmãos inferiores, sinto-me à vontade para declarar que todos nós já nos debatemos no seu acanhado círculo evolutivo. São eles os nossos parentes mais próximos, apesar da teimosia de quantos persistem em o não reconhecer.

Considera-se, às vezes, como afronta ao gênero humano a aceitação dessas verdades. E pergunta-se como poderíamos admitir um princípio espiritual nas arremetidas furiosas das feras indomesticadas, ou como poderíamos crer na existência de um raio de Luz divina na serpente venenosa ou na astúcia traiçoeira dos carnívoros. Semelhantes inquirições, contudo, são filhas de entendimento pouco atilado. Atualmente, precisamos modificar todos os nossos conhecimentos acerca de Deus, porquanto nos falece autoridade para defini-lo ou individualizá-lo.
(…)

Os animais têm a sua linguagem, os seus afetos, a sua inteligência rudimentar, com atributos inumeráveis. São eles os irmãos mais próximos do homem, merecendo, por isso, a sua proteção e amparo.
(…)
O homem está para o animal simplesmente como um superior hierárquico. Nos irracionais desenvolvem-se igualmente as faculdades intelectuais. O sentimento de curiosidade é, na maioria deles, altamente avançado, e muitas espécies nos demonstram as suas elevadas qualidades, exemplificando o amor conjugal, o sentimento da paternidade, o amparo ao próximo, as faculdades de imitação, o gosto da beleza. Para verificar a existência desses fenômenos, basta que se possua um sentimento acurado de observação e de análise.

(…)
Recebei como obrigação sagrada o dever de amparar os animais na escala progressiva de suas posições variadas no planeta. Estendei até eles a vossa concepção de solidariedade, e o vosso coração compreenderá, mais profundamente, os grandes segredos da evolução, entendendo os maravilhosos e doces mistérios da vida.”

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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Alvorada do Reino. 1 ed. São Paulo: IDEAL, 1988. 102 p. Capítulo 15 “Na senda de ascensão”, pp. 78-82:

“O animal caminha para a condição do homem, tanto quanto o homem evolui no encalço do anjo.
No reino animal, a consciência, à feição de crisálida, movimenta-se em todos os tons do instinto, no rumo da inteligência.
No reino hominal, a consciência nascida avança em todos os aspectos da inteligência, objetivando a conquista da razão sublimada pelo discernimento.
E, no reino angélico essa mesma consciência, em múltiplas expressões de sabedoria e de amor, segue, vitoriosa, para a perfeita santificação, comungando a Perfeita Felicidade do Pai Celestial.
No campo das formas efêmeras, cada ser, portanto, pode residir, à parte, na elaboração dos próprios valores que o erguerão aos níveis mais altos da vida, entretanto, no mundo das essências, irmanar-se-á com o Todo da Criação, crescendo para a Unidade Cósmica – porto divino e esperar-nos sem distinção – de modo a investir-nos, um dia, na posse da celeste herança que nos é reservada.
Desse modo, se pedes proteção e arrimo aos que te precederam na vanguarda do progresso e se aguardas a assistência dos benfeitores que, de Mais Alto, te observam as esperanças, compadece-te também das criaturas humildes que laboriosamente se agitam na retaguarda, peregrinando ao teu encontro.
Se é justo esperar pelo amor que verte sublime, do Céu, em teu benefício, é preciso derramar esse mesmo amor nas furnas da Terra, a que consciências fragmentárias se acolhem, contando contigo para que se eduquem e aperfeiçoem.
Para o homem, o anjo é o gênio que representa a Providência Divina e para o animal, o homem é a força que representa a Divina Bondade.

Recorda os elos sagrados que nos ligam uns aos outros na estrada evolutiva e colabora na extinção da crueldade com que até hoje pautamos as relações com os nossos irmãos menores.
Lembra-te do mel que te angaria medicação, da lã que te oferece o agasalho, da tração que te garante a colheita farta e do estábulo que te assegura reconforto e sejamos mais
humanos para com aqueles que aspiram a nossa posição, dentro da Humanidade.
Auxilia aos que te seguem os passos e mantém a certeza de que receberás em pagamento de paz e luz o concurso daqueles que te antecederam no acesso às culminâncias da Vida Maior.
A fé nos confere consolação, mas nos reveste de responsabilidade a que não podemos fugir.”

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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Cinquenta anos depois. 34 ed. 6 imp. Brasília: FEB, 2017. 286 p. 2ª parte, cap. VI “No horto de Célia”, pp. 260-261:

“- Mas que segredo haverá nestas paragens – exclamou Helvídio, respirando a longos haustos –, para que a terra se mostre tão dadivosa e exuberante?
– Não sei – disse o Irmão dos pobres, com singeleza –, aqui tão somente amamos muito a terra! Nossas árvores frutíferas nunca são cortadas, para que recebamos as suas dádivas e as suas flores. Os cordeiros nos dão a lã preciosa, as cabras e as jumentas o leite nutritivo, mas não os deixamos matar, nunca. As laranjeiras e oliveiras são as nossas melhores amigas. Às vezes, é à sua sombra que fazemos nossas preces, nos dias de repouso. Somos, aqui, uma grande família. E os nossos laços de afeto são extensivos à Natureza.
– Um dia – explicou com um sorriso infantil – observamos que os cabritos mais idosos gostavam de perseguir os cordeirinhos mansos e pequeninos. Então, as crianças da escola, recordando que Jesus tudo obtinha pela brandura do ensinamento, resolveram auxiliar-me na criação das ovelhas e das cabras, construindo para isso um só redil…
Ainda pequenos uns e outros filhos de mães diferentes, eram reunidos em todos os lugares e, com o amparo dos meninos, levados às nossas preces e aulas ao ar livre. As crianças sempre acreditaram que as lições de Jesus deviam sensibilizar os próprios animais e eu as tenho deixado alimentarem essa convicção encantadora e suave. O resultado foi que os cabritos brigões desapareceram. Desde então o redil foi um ninho de harmonia. Crescendo juntos, comendo a mesma relva e sentindo sempre a mesma companhia, uns e outros eliminaram as instintivas aversões!… Por mim, observando essas lições de cada instante, fico a pensar como será feliz a coletividade humana quando todos os homens compreenderem e praticarem o Evangelho?…”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). A Caminho da Luz. 38 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. 206 p. Capítulo 3 “As raças adâmicas”, item “O sistema de Capela”, pp. 27-28:

“Quase todos os mundos que lhe são dependentes (do Sistema de Capela) já se purificaram física e moralmente, examinadas as condições de atraso moral da Terra, onde o homem se reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores, como nas eras pré-históricas de sua existência, marcham uns contra os outros ao som de hinos guerreiros, desconhecendo os mais comezinhos princípios de fraternidade e pouco realizando em favor da extinção do egoísmo, da vaidade, do seu infeliz orgulho.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 1 “Ciência”, item 1.1. “Ciências fundamentais”, subitem 1.1.5. “Sociologia”, questão 62, pp. 47:

Questão 62: O não matarás alcança o caçador que mata por divertimento e o carrasco que extermina por obrigação?
R: À medida que evolverdes no sentimento evangélico, compreendereis que todos os matadores se encontram em oposição ao texto sagrado.
No grau dos vossos conhecimentos atuais, entendeis que somente os assassinos que matam por perversidade estão contra a Lei divina. Quando avançardes mais no caminho, aperfeiçoando o aparelho social, não tolerareis o carrasco, e, quando estiverdes mais espiritualizados, enxergando nos animais os irmãos inferiores de vossa vida, a classe dos caçadores não terá razão de ser.
Lendo os nossos conceitos, recordareis os animais daninhos e, no íntimo, haveis de ponderar sobre a necessidade do seu extermínio. É possível, porém, que não vos lembreis dos homens daninhos e ferozes. O caluniador não envenena mais que o toque de uma serpente? O armamentista, ou o político ambicioso, que montam com frieza a maquinaria da guerra incompreensível, não são mais impiedosos que o leão selvagem?…
Ponderemos essas verdades e reconheceremos que o homem espiritual do futuro, com a luz do Evangelho na inteligência e no coração, terá modificado o seu ambiente de lutas, auxiliando igualmente os esforços evolutivos de seus companheiros do plano inferior, na vida terrestre.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.1. “Aprendizado”, questão 128, pp. 90:

“Questão 128: A vida do irracional está revestida igualmente das características missionárias?
R: A vida do animal não é propriamente missão, apresentando, porém, uma finalidade superior que constitui a do seu aperfeiçoamento próprio, através das experiências benfeitoras do trabalho e da aquisição, em longos e pacientes esforços, dos princípios sagrados da inteligência.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.1. “Aprendizado”, questão 129, pp. 90-91:

“Questão 129: É um erro alimentar-se o homem com a carne dos irracionais?
R: A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivam numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.
Temos de considerar, porém, a máquina econômica do interesse e da harmonia coletiva, na qual tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. Suas peças não podem ser destruídas de um dia para o outro, sem perigos graves. Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.”
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XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 29 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2017. 305 p. Capítulo 2 “Filosofia”, item 2.1. “Vida”, subitem 2.1.2. “Experiência”, questão 136, pp. 96:

“Questão 136: Existem seres agindo na Terra sob determinação absoluta?
R: Os animais e os homens quase selvagens nos dão uma ideia dos seres que agem no planeta sob determinação absoluta. E essas criaturas servem para estabelecer a realidade triste da mentalidade do mundo, ainda distante da fórmula do amor, com que o homem deve ser o legítimo cooperador de Deus, ordenando com a sua sabedoria paternal.
Sem saberem amar os irracionais e os irmãos mais ignorantes colocados sob a sua imediata proteção, os homens mais educados da Terra exterminam os primeiros para a sua alimentação, e escravizam os segundos para objeto de explorações grosseiras, com exceções, de modo a mobilizá-los a serviço do seu egoísmo e da sua ambição.”
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). A semente de mostarda. 4 ed. São Paulo: GEEM:

“Faze o possível para que não deixes passar um só dia da tua existência sem prestar algum serviço ou auxílio a esse ou aquele ser vivente de qualquer espécie da Natureza”
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Fonte Viva. 37 ed. Brasília: FEB, 2016. Capítulo 38 “Se soubéssemos”. pp. 107:

“Se o glutão enxergasse os desequilíbrios para os quais encaminha o próprio corpo, apressando a marcha para a morte, renderia culto invariável à frugalidade e à harmonia.”
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Emmanuel. 27 ed. Brasília: FEB, 2010. Capítulo XXIII “A saúde humana”, p. 161:

“O estado precário da saúde dos homens, nos dias que passam, tem o seu ascendente na longa série de abusos individuais e coletivos das criaturas, desviadas da lei sábia e justa da Natureza. A civilização, na sua sede de bem-estar, parece haver homologado todos os vícios da alimentação, dos costumes, do sexo e do trabalho. Todavia, os homens caminham para as mais profundas sínteses espirituais. A máquina, que estabeleceu tanta miséria no mundo, suprimindo o operário e intensificando a facilidade da produção, há de trazer, igualmente, uma nova concepção da civilização que multiplicou os requintes do gosto humano, complicando os problemas de saúde; há de ensinar às criaturas, a maneira de viverem em harmonia com a Natureza”.
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Há dois mil anos. 4 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2009. 432 p. Capítulo 6 “O rapto”, pp. 102:

“Os próprios animais possuem os mais elevados instintos, em se tratando de maternidade…”
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Há dois mil anos. 4 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2009. 432 p. Segunda Parte. Capítulo VI “Alvoradas do Reino do Senhor” pp. 354:

“[…] Exausto de receber os fluidos venenosos da ignomínia e da iniquidade de seus habitantes, o próprio planeta protestará contra a impenitência dos homens, rasgando as entranhas em dolorosos cataclismos…As impiedades terrestres formarão pesadas nuvens de dor que rebentarão, no instante oportuno, em tempestades de lágrimas na face escura da Terra e, então, das claridades da minha misericórdia, contemplarei meu rebanho desditoso e direi como os meus emissários: “Ó Jerusalém, Jerusalém?…”
“Mas Nosso Pai, que é a sagrada expressão de todo o amor e sabedoria, não quer se perca uma só de suas criaturas, transviadas nas tenebrosas sendas da impiedade!…”
“Trabalharemos com amor, na oficina dos séculos porvindouros, reorganizaremos todos os elementos destruídos, examinaremos detidamente todas as ruínas buscando o material passível de novo aproveitamento e, quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do Consolador, os progressos definitivos do homem espiritual”.
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XAVIER, F. C. EMMANUEL (Espírito). Renúncia, 1ª parte, cap. 5:

“De outra feita, Dolores trabalhava na chácara, acompanhada por Alcíone, que cavava o solo com minúsculo instrumento. Em dado instante, surge o “Lobo” — grande cão de D. Diego —, que tentava perturbar, todos os dias, os trabalhos da rapariga.
Dolores toma prestes de longa vara e, valendo-se da oportunidade, espanca o animal que debalde procura uma saída.
— Não batas assim no “Lobo”! — exclama Alcíone perturbada e aflita.
E como começasse a gritar, a serva falou baixinho:
— Sossega, minha filha! Vamos aproveitar enquanto estamos sem vigias no outro lado.
A menina, entretanto, esboçou um gesto significativo e lembrou:
— Mas nós não estamos aqui sozinhas. Jesus está conosco.
Anotando a advertência, a criada permitiu que o animal se safasse do círculo apertado em que se achava, e esclareceu, como quem se via obrigada a dar uma satisfação do seu ato:
— Este cão, Alcíone, é vagabundo e ladrão. A pequena não respondeu de pronto, mas, dirigiu-se ao interior da casa a passos vagarosos, tomou o crucifixo de D. Margarida, sempre guardado à cabeceira da cama e encaminhou-se novamente ao quintal. Aproximando-se de Dolores que a observava, muito admirada, apontou, com muito carinho, para a escultura e esclareceu na sua linguagem infantil:
— Estás vendo, Dolores? Mamãe contou que, quando Jesus morreu, estava entre dois homens que roubavam.
— Pois bem — disse a empregada sorrindo em face da profunda advertência —, depois falaremos com D. Madalena sobre o caso desse cão.
E Alcíone voltou a guardar o crucifixo com a impressão de que havia cumprido uma grande tarefa.”
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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Antologia Mediúnica do Natal. 6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. 208 p. Capítulo 78 “Pensamentos do natal” (Espírito Emmanuel), pp. 206:

“Na celebração do natal, diminui quanto possível a matança dos animais – nossos companheiros na romagem evolutiva. Não olvidemos que o Senhor encontrou junto deles o seu primeiro lar, na insegurança da estrebaria.”
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FILHO, L. K.; MONTEIRO, M. V.; SILVA R. (orgs.). Mensagens de Além-Túmulo: Série de Reportagens Históricas Sobre Chico Xavier em 1935. Capítulo XIV “Dois médicos procuram pôr à prova o médium”. Resposta do espírito EMMANUEL sobre a diabetes, pp. 89-90:

“Em grande parte, deve o diabetes a sua causa aos vícios da alimentação e poderá ser curável quando os doentes se dispuserem a prescindir de todos os elementos da carne, entregando-se, embora com sacrifício, ao regime dos legumes, exclusivamente à alimentação natural, porque a insulina, apesar de aconselhável como proporcionadora de bons resultados, não basta para que a melhora se efetue largamente no tratamento do enfermo. Exija-se deste paciência e perseverança. Aos poucos, os homens, através do sofrimento, adquirirão a experiência que os conduzirá à regeneração da saúde prejudicada desde tempos imemoriais pelos seus vícios e desvios.”
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HUMBERTO DE CAMPOS/IRMÃO X

XAVIER, F. C.; HUMBERTO DE CAMPOS (Espírito). Boa Nova. 37 ed. 8 imp. Brasília: FEB, 2017. 221 p. Capítulo 19 “Comunhão com Deus”, por Jesus, pp. 123-126:

“É preciso aprender com as Leis da Natureza a fidelidade a Deus! Quem as acompanha no mundo, planta e colhe com abundância. Observar a lealdade para com o Pai é semear as mais formosas searas da alma no Infinito.
[…]
A água é o símbolo mais perfeito da essência de Deus, que tanto está nos céus, como na Terra.”

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XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Palavras do infinito. Capítulo “A ordem do Mestre” (Espírito Humberto de Campos):

“- João – disse-lhe o Mestre – lembras-te do meu aparecimento na Terra?
– Recordo-me, Senhor. Foi no ano 749 da era romana, apesar da arbitrariedade de Frei Dionísios, que colocou erradamente o vosso natalício em 754.
– Não, meu João – retornou docemente o Senhor – não é a questão cronológica que me interessa em te argüindo sobre o passado. É que nessas suaves comemorações vem até mim o murmúrio doce das lembranças!…
– Ah! Sim, Mestre Amado – retrucou pressuroso o Discípulo – compreendo-vos. Falais da significação moral do acontecimento. Oh!…Se me lembro… A manjedoura, a estrela guiando os poderosos ao estábulo humilde, os cânticos harmoniosos dos pastores, a alegria ressoante dos inocentes, afigurando-se-nos que os animais vos compreendiam mais que os homens, aos quais ofertáveis a lição da humildade com o tesouro da fé e da esperança.”
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XAVIER, F. C.; HUMBERTO DE CAMPOS (Espírito). Boa Nova. 37 ed. 8 imp. Brasília: FEB, 2017. 221 p. Capítulo 19 “Comunhão com Deus”, por Jesus, pp. 123-126:

“É preciso aprender com as Leis da Natureza a fidelidade a Deus! Quem as acompanha no mundo, planta e colhe com abundância. Observar a lealdade para com o Pai é semear as mais formosas searas da alma no Infinito.
[…]
A água é o símbolo mais perfeito da essência de Deus, que tanto está nos céus, como na Terra.”

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XAVIER, F. C.; HUMBERTO DE CAMPOS (Espírito). Novas mensagens. 14 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2014. 145 p. Capítulo 6 “Marte”, pp. 49:

“Na atmosfera, ao longe, vagavam nuvens imensas, levemente azuladas, que nos reclamaram a atenção, explicando-nos o mentor da caravana fraterna que se tratava de espessas aglomerações de vapor d’água, criadas por máquinas poderosas da ciência marciana, afim de que sejam supridas as deficiências do líquido nas regiões mais pobres e mais afastadas do largo sistema de canais, que ali coloca os grandes oceanos polares em contínua comunicação, uns com os outros.
Tais providências, explica o espírito superior e benevolente, destinam-se a proteger a vida dos reinos mais fracos da Natureza planetária, porque, em Marte, o problema da alimentação essencial, através das forças atmosféricas, já foi resolvido, sendo dispensável aos seus habitantes felizes a ingestão das vísceras cadavéricas dos seus
irmãos inferiores, como acontece na Terra, superlotada de frigoríficos e de matadouros.”

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XAVIER, F. C.; IRMÃO X. Estante da vida. Capítulo “A lenda da guerra”:

“- Todavia – continuou o Misericordioso -, e a Natureza que os cerca? Porventura, não lhes falam ao coração a claridade do Sol, a bênção do ar, a bondade da água, a carícia do vento, a cooperação dos animais, a proteção do arvoredo, o perfume das flores, a sabedoria da semente e a dádiva dos frutos?!…
– Infelizmente – esclareceu o ancião -, vagueiam como cegos e surdos, ante o concerto harmonioso de vossas graças, e oprimem a Natureza simbolizando gênios do mal, destruidores e despóticos.”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. À luz da oração. Capítulo “Oração ante a manjedoura” (Espírito Irmão X):

“[…] Os homens, não contentes com o poder de matar pelo canhão e pela metralhadora, pelo gás e pela fome, descobriram a desintegração atômica, a fim de que não somente os irmãos na espécie sejam exterminados, mas também os animais e as árvores, os ninhos e os vermes, os elementos vitalizantes do ar, da água e do solo.
E invocam-te a presença, antes da batalha, abençoa armas em teu nome, declaram-se teus protegidos, acionando maquinarias de arrasamento.”
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XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Cartas do coração. Capítulo “O dom divino” (Espírito Irmão X):

“[…] – Eterno Benfeitor, perdoa-me a pobreza! Nada tenho para expressar-te o meu carinho!… Minhas virtudes não passam de baixelas desprezíveis.
Jesus complementou as alfaias expostas, sorriu e falou, sereno:
– Realmente, as qualidades edificantes que o reino do Todo-Poderoso espera de nós revelam-se em construção, no terreno de tua alma. É imprescindível que o tempo te aprimore os talentos imortais. Entretanto, trazes contigo o dom divino oculto em todas as criaturas. É por ele que a Obra de Deus se aperfeiçoa na Terra usando-o poder colaborar comigo em toda parte santificando-te, cada vez mais, para a glória do paraíso.
E por que o discípulo indagasse, entre aflito e jubiloso, o Mestre completou:
– É o dom do servir, indistintamente.
Ajuda-me a velar pelos homens, pela vida, pela natureza… Auxilia comigo ao ignorante e ao doente, ao velho e à criancinha, ao animal e à erva tenra. A qualquer criatura ou a qualquer coisa que ofereças o bem é a mim mesmo que o fazes…”
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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Lázaro Redivivo. Capítulo “O diabo”:

“-Todos sabemos que a criação inteira é obra infinita de Deus e não podemos ignorar que todos os seres do Universo, desde as notas mais baixas aos cânticos mais altos da Natureza, no campo ilimitado da vida, são portadores da Centelha Imortal da Divindade. Em todos os departamentos sem número dos mundos inumeráveis palpita o amor, existe a ordem, permanece o sinal da prodigiosa herança da vida. Por isso mesmo, irmãos, toda expressão diabólica é perversão da bênção divina. Onde esteja a perturbação da harmonia universal, aí se encontra o adversário do Senhor.”
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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Luz acima. Capítulo “O homem e o boi”:

“Um anjo de longínquo sistema, interessado em conhecer os variados aspectos e graus da razão na inteligência Universal, pousou num campo terrestre e, surpreso ante a paisagem, aí encontrou um homem e um boi. Admirou as flores silvestres, fixou os horizontes coloridos de sol e rejubilou-se com a passagem do vento brando, rendendo graças ao Supremo Senhor. Como não dispunha, todavia, de mais larga parcela de tempo, passou à observação direta dos seres que povoavam o solo, aferindo o progresso do entendimento no orbe que visitava.
Examinou as pupilas do homem e descobriu a inquietação da maldade.
Sondou os olhos do boi e encontrou calma e paz.
Usando o critério que lhe era particular, conclui de si para consigo que o boi era superior ao homem. Consolidou a impressão quando, para experimentar, pediu mentalmente aos dois trabalhassem em silêncio. O animal respondeu com perfeição, movimentando-se, humilde, mas o companheiro bípede gritou, espetacularmente, proferindo nomes feios que fariam corar uma pedra.
Um tanto alarmado, o anjo recomendou paciência.

O educado bisneto da selva continuou trabalhando, imperturbável e tolerante.
Todavia, o irrequieto descendente de Adão estalou um chicote, ferindo as ancas do colaborador de quatro patas.
Acabrunhado agora, diante da cena triste, o sublime embaixador pediu atitudes de sacrifício.
O servo bovino obedeceu, sem qualquer relutância, revelando indiscutível interesse em ser útil, distraído das próprias chagas.
O administrador humano, contudo, redobrou a crueldade, recorrendo ao ferrão para dilacerar-lhe, ainda mais, a carne sanguinolenta…
Sensibilizadíssimo, o fiscal celeste anotou o que supôs conveniente aos fins que o traziam e afastou-se, preocupado.
Não atravessara grande distância e encontrou uma vaca em laço forte, com outro homem a ordenhá-la.

Sob impressão indefinível, emitiu apelos à renúncia.
A mãe bovina atendeu com resignação heróica, prosseguindo firme na posição de quem sabia sacrificar-se, mas o ordenhador, antes que o emissário de cima os analisasse, de perto, porque certa mosca lhe fustigava o nariz, esbofeteou o úbere da vaca, desabafando-se. O funcionário dos altos céus, compadecido, acariciou a vítima que se movimentou alguns centímetros, agradavelmente sensibilizada. O tratador, porém, berrou desvairado, caluniando-a…
Queres escoucear-me, não é? Gritou, diabólico.

Ergueu-se lesto, deu alguns passos, sacou de bengala rústica e esbordoou-lhe os chifres.
Emocionado, o anjo vivificou as energias da vaca, aplicando o seu magnetismo divino, rogou para ela as bênçãos do Altíssimo, empregou forças de coação no agressor, conferindo-lhe salutar dor de cabeça, efetuou os registros que desejava e retirou-se.
Prestes a desferir voo, firmamento a fora, encontrou um gênio sublime da hierarquia terrena.
Cumprimentaram-se, fraternos, e o fiscal divino comentou a beleza da paisagem.
Não ocultou, porém, a surpresa de que se possuía.
Relacionou os objetivos que o obrigaram a parar alguns minutos na Terra e rematou para o irmão na pureza e na virtude:
Estou satisfeito com a elevação sentimental das criaturas superiores do Planeta.

Cultivam a generosidade, renunciam no momento oportuno, trabalham sem lamentações e, sobretudo, auxiliam, com invulgar serenidade, os inferiores.
O anjo da ordem terrestre silenciou, espantado por ouvir tão rasgado elogio aos homens. O outro, no entanto, prosseguiu:
Tive ocasião de presenciar comovedores testemunhos. Pesa-me confessá-lo, porém: não posso concordar com a posição dos seres mais nobres da terra, que se movimentam ainda sobre quatro pés, quando certo animal feroz, que os acompanha, agressivo, já detém a leveza do bípede. Naturalmente, sabe o Altíssimo o motivo pelo qual individualidades tão distintas aqui se encontram, unidas para a evolução em comum…
Tenho, contudo, o propósito de apresentar um relatório minucioso às autoridades divinas, a fim de modificarmos o quadro reinante.
Assinalando-lhe os conceitos, o companheiro solicitou explicações mais claras. O anjo estrangeiro convidou-o a verificações diretas.

O protetor da Terra, desapontado, esclareceu, por sua vez, ser diversa a situação: o bípede é na crosta Planetária o Rei da inteligência, guardando consigo a láurea da compreensão, sendo o boi simples candidato ao raciocínio, absolutamente entregue ao livre-arbítrio do controlador do solo. Acentuou que, não obstante operoso e humilde, o cooperador bovino gastava a existência servindo para o bem, e acabava dando os costados no matadouro, para que os homens lhe comessem as vísceras…
O forasteiro dos céus mais altos, sem dissimular o assombro, considerou:
Então, o problema é muito pior…
Pensou, pensou e aduziu:
Jamais encontrei um planeta onde a razão estivesse tão degradada.
Despediu-se do colega, preparou o afastamento definitivo sem mais delonga e concluiu:
Apresentarei relatório diferente.
Mas ainda não se sabe se o anjo foi pedir medidas ao Trono Eterno para que os bois levantem as patas dianteiras, de modo a copiarem o passo de um herói humano, ou foi rogar providências aos Poderes Celestiais a fim de que os homens desçam as mãos e andem de quatro, à maneira dos bois…”

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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Luz acima. Capítulo “Mãos enferrujadas”:

“[…] – Amparou doentes, em nome de Cristo?
– A terra tem numerosos enfermeiros.
– Auxiliou criancinhas abandonadas?
– Há creches por toda parte.
– Escreveu alguma página consoladora?
– Para quê? O mundo está cheio de livros e escritores.
– Utilizava o martelo ou o pincel?
– Absolutamente.
– Socorreu animais desprotegidos?
– Não.
– Agradava-lhe cultivar a terra?
– Nunca.
– Plantou árvores benfeitoras?
– Também não.
– Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas?
Sucupira fez um gesto de desdém e informou:
– Jamais pensei nisto.
O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta. Ao fim do interrogatório, opinou sem delongas:
– Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas.”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Antologia Mediúnica do Natal. 6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. 208 p. Capítulo 44 “Os animais ante o natal” (Espírito Irmão X), pp. 111-112:

“Entretecíamos animada conversação, em torno dos abusos da mesa nas comemorações natalinas, com o parecer do grave Jonathan bem Asser, que asseverava a conveniência de ater-se o homem ao sacrifício dos animais apenas quanto ao estritamente necessário, quando o velho Ebenezer bem Aquim, orientador de grupos hebraicos do Mundo Espiritual, tomou a palavra e se exprimiu conciso:
– Talvez não saibam vocês quanto devemos aos bichos na manifestação do Evangelho…
E, ante a nossa curiosidade, narrou, comovido:
– Há muitos anos, ouvi do rabi Eliúde, que se encontra agora nas esferas superiores, interessantes minudências em torno do nascimento de Jesus. Contou-nos esse antigo mentor de israelitas desencarnados que a localização de José da Galiléia e da companheira nos arredores de Belém de Judá não foi assim tão fácil.
O casal, que se compunha de jovem Maria, tocada de singular formosura, e do patriarca que a recebera por esposa, em madureza provecta, entrou na cidade quando as ruas e hospedarias se mostravam repletas.
Os descendentes do ramo de David reuniam-se aos magotes para atender ao recenseamento determinado pelo governo de Augusto.

Bronzeados cameleiros do deserto confraternizavam com vinhateiros de Gaza, negociantes domiciliados em Jericó entendiam-se com mercadores residentes no Egito.
Acompanhados por benemérita legião de Espíritos sábios e magnânimos, a cuja frente se destacava o abnegado Gabriel, que anunciara a Maria a vinda do Senhor.
José e a consorte bateram primeiramente às portas da estalagem de Abias, filho de Sadoc, que para logo os rechaçou com a negativa; entretanto, pousando os olhos malevolentes na jovem desposada, ensaiou graçola irreverente, o que fez que José, apreensivo, estugasse o passo para diante.
Recorreram aos préstimos de Jorão, usurário que alugava cômodos a forasteiros. O ricaço considerou, de imediato, a impossibilidade de acolhê-los, mas, ao examinar a beleza da moça nazarena, chamou à parte o enrugado carpinteiro e indagou se a menina era filha de escravos que se pudesse obter a preço amoedado…

José, mais aflito, demandou a frente para esbarrar na pensão de Jacob, filho de Josias, antigo estalajadeiro, que declarou impraticável o alojamento dos viajantes; no entanto, ao fixar-se na recém-chegada, perguntou desabridamente como é que um varão, assim velho, tinha coragem de exibir uma jovem daquela raridade na praça pública. Deprimido, o ancião diligenciou alcançar pousada próxima; contudo, as invectivas de Jacob atraíram curiosos e vadios que cercaram o par, crivando-o de injúrias.
Os recém-vindos de Nazaré, vendo-se alvo de chufas e zombarias, tropeçavam humilhados… Gabriel, no entanto, recorreu à prece, rogando o Amparo Divino, e diversos emissários do Céu se manifestaram, em nome de Deus, deliberando que a única segurança para o nascimento de Jesus se achava no estábulo, pelo que conduziram José e Maria para a casa rústica dos carneiros e dos bois…
Ebenezer, a seguir, comentou, bem humorado:
– Não fossem os anfitriões da estrebaria e talvez a Boa Nova tivesse seu aparecimento
retardado…
E terminou, inquirindo:

– Não será isso motivo para que os animais na Terra sejam poupados ao extermínio, pelo menos no dia do Natal?

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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Cartas e Crônicas. 14 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2015. 167 p. Capítulo 4 “Treino para a morte”, pp. 18:

“Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.
Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo do porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.”
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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Contos e Apólogos. 14 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. 180 p. Capítulo 15 “O enigma da obsessão”, pp. 66-68:

“Longa série de “porquês” empolgava-nos a imaginação, quando Menés, otimista ancião do nosso grupo, à maneira de carinhoso avô, falou bem humorado:
– A propósito do assunto, contarei a vocês um apólogo que nos pode conferir alguma ideia acerca do nosso imenso atraso moral.
E, tranquila, narrou:
– Em épocas recuadas, numa cidade que os séculos já consumiram, os bois sentiram que também eram criaturas feitas por nosso Pai Celestial, não obstante inferiores aos homens.
Sentindo essa verdade, começaram a observar a crueldade com que eram tratados. O homem que, pela coroa de inteligência, devia protegê-los e educá-los, deles se valia para ingratos serviços de tração, sob golpes sucessivos de aguilhões e azorragues. Não se contentando com essa forma de exploração, escravizava-lhes as companheiras, furtando-lhes o leite dos próprios filhos, reservando-lhes à família e a eles próprios horrível destino no açougue, Se alguns deles hesitavam no trabalho comum, sofrendo com a tuberculose ou com a hepatite, eram, de pronto, encaminhados à morte e ninguém lhes respeitava o martírio final. Muitas pessoas compravam-lhes as vísceras cadavéricas ainda quentes, tostando-as ao fogo para churrascos alegres, enquanto outras lhes mergulhavam os pedaços sangrentos em panelas com água temperada, convertendo-os em saborosos quitutes para bocas famintas. Não conseguiam nem mesmo o direito à paz do túmulo, porque eram sepultados, aqui e ali, em estômagos malcheirosos e insaciáveis. Apesar de trabalharem exaustivamente para o homem, não conseguiam a mínima recompensa, de vez que, depois de abatidos, eram despojados dos próprios chifres e dos próprios ossos, para fortalecimento da indústria… Magoados e aflitos, começaram a reclamar; contudo, os homens, embora portadores de belas virtudes potenciais, receavam viver sem o cativeiro dos bois. Como enfrentarem, sozinhos, as duras tarefas do arado? Como sustentarem a casa sem o leite? Como garantirem a tranqüilidade do corpo sem a carne confortadora dos seres bovinos? O petitório era simpático, mas os bichos se mostravam tão nédios e tão tentadores que ninguém se arriscava à solução do problema. Depois de numerosas súplicas sem resposta, as vítimas da voracidade humana recorreram aos juízes; entretanto, os magistrados igualmente cultivavam a paixão do bife e do chouriço e não sabiam servir à Justiça, sem as utilidades do leite e do couro dos animais. Assim, o impasse permaneceu sem alteração e qualquer touro mais arrojado que se referisse ao assunto, a destacar-se da subserviência em que se mantinha o rebanho, era apedrejado, espancado e conduzido, irremediavelmente, ao matadouro…
O venerável amigo fez longa pausa e acrescentou:
– Essa é a luta multissecular entre encarnados e desencarnados que se devotam ao vampirismo. Sem qualquer habilitação para a vida normal, fora do vaso físico, temem a grandeza do Universo e recuam apavorados, ante a glória do Espaço Infinito, procurando a intimidade com os irmãos ainda envolvidos na carne, cujas energias lhes constituem precioso alimento à ilusão. E desse modo que as enfermidades do corpo e da alma se espalham nos mais diversos climas. Os homens, que se julgam distantes da harmonia orgânica sem o sacrifício dos animais, são defrontados por gênios invisíveis que se acreditam incapazes de viver sem o concurso deles. O enigma da obsessão, no fundo, é problema educativo. Quando o homem cumprir em si mesmo as leis superiores da bondade a que teoricamente se afeiçoa, deixará de ser um flagelo para a Natureza, convertendo-se num exemplo de sublimação para as entidades inferiores que o procuram… Então, a consciência particular inflamar-se-á na luz da consciência cósmica e os tristes espetáculos da obsessão recíproca desaparecerão da Terra… Até lá – concluiu, sorrindo –, reclamar contra a atuação dos Espíritos delinquentes, conservando em si mesmo qualidades talvez piores que as deles, é arriscar-se, como os bois, à desilusão e ao espancamento. O ímã que atrai o ferro não atrai a luz. Quem devora os animais, incorporando-lhes as propriedades ao patrimônio orgânico, deve ser apetitosa presa dos seres que se animalizam. Os semelhantes procuram os semelhantes. Esta é a Lei.”
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XAVIER, F. C.; IRMÃO X (Espírito). Pontos e Contos. 13 ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2016. 270 p. Capítulo 33 “A dissertação inacabada”, pp. 166:

“Cada qual falou, por sua vez, comentando as angústias do problema social na poderosa cidade de que provinham e, após encarecerem a necessidade de transformações políticas no cenário do mundo, esperaram, curiosos, a palavra do Cristo, que lhes afirmou, bondoso:
(…)
Reza a lei do passado: – Não matarás; eu, porém, vos digo que não se deve matar em circunstância alguma e que se faz indispensável a vigilância sobre os nossos impulsos de oprimir os seres inferiores da Natureza, porque, um dia, responderemos à Justiça do Criador Supremo pelas vidas que consumimos.”
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IRMÃO JOSÉ

XAVIER, F. C.; BACCELLI, C. A.; Espíritos diversos. Crer e agir. Capítulo “Plenitude” (Espírito Irmão José):

“Nas mínimas atitudes
A elevação te aguarda.
A Lei jamais se esquece
Do que muitos desprezam.
Socorrer um animal ferido
É grande amor a Deus.
Aquele que cultiva uma flor
Reverencia a vida.
Nada é pequeno,
Quando se ama o bastante.
Para alcançar a plenitude
É preciso servir.”

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JAIR PRESENTE

XAVIER, F. C.; JAIR PRESENTE (Espírito). Loja de alegria. Capítulo “Atração”:

“Você deseja o sentido
Daquela lição segura:
-“Cada pessoa na vida
Acha aquilo que procura.”
O ensino vem do Evangelho
Com tamanha singeleza
Que para ser explicado
Basta ver na Natureza.
No belo mundo das aves,
A andorinha persevera,
Buscando incessantemente
O lugar na Primavera.
A mosca se movimenta
Com diligência incontida,
Tentando refugiar-se,
Nessa ou naquela ferida.
A abelha deixa a colmeia
E, sempre ativa e fiel,
Acha a flor que lhe garante
As substâncias do mel.
O abutre, sisudo e firme
Voa, alto, mas, no fundo,
Quase sempre, só se farta
Nos excrementos do mundo.

Assim somos nós também…
Segundo a questão exposta,
Somente achamos nos outros
Aquilo que a gente gosta.”

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XAVIER, F. C.; JAIR PRESENTE (Espírito). Revelação. Capítulo “Em defesa dos animais”:

“No termo do ano passado,
Tive um chamado ideal:
Devia dar assistência
Ao serviço do Natal.
Fiz preces, rogando a Deus
Paz na mente, amor e luz,
Sabendo que aquela data
Era a festa de Jesus.
Comecei a trabalhar
Testando-me a confiança…
Que Deus me desse mais força,
Mais apoio na esperança.

Fiquei, porém, desgostoso,
Pois no Grande Feriado
Só se falava da festa,
Jesus não era lembrado.
Primeiro fui à Mansão
Do meu amigo João Dias.
Ele estava entusiasmado
Comendo duas cotias.
Então fui ver Dona Eulália,
Conhecida por Luloca.
Ela e o marido traçavam
Língua de boi com paçoca.
Fui ao encalço do pastor,
Pregador “cara e coroa”.
Ele estava em grande pressa,
Temperando uma leitoa.
Encontrei, no galinheiro,
Vasta frota de perus.
Coitados, nenhum deles
Quis falar sobre Jesus.
Recordei Dona Germana,
Famosa em fazer angu.
Germana e o filho trinchavam

Lombo de porco e tutu.
Muito triste, procurei
A casa de João Chichorro.
No entanto, revi o amigo
Comendo o próprio cachorro.
Fui no pouso da Donana,
A caridade segura.
Ela estava degustando
Farofa com tanajura.
Parei na casa de Lauro
Que vivia no descanso
.
Vi Cocota, a esposa dele,
Cortando a goela de um ganso.
Vacilando, entrei no lar
Do companheiro João Tato.
O amigo se achava à mesa,
Comendo carne de gato.
Procurei seguir em frente,
Parei no Bar de Ciloca.
Ela se achava “arrumando”
Cinco quilos de minhoca.
Em seguida, busquei
O sítio de Adão do Embalo.
Dizendo ter muita fome,

Comia o próprio cavalo.
Passei na casa de Antônio,
O antigo dono dos tangos.
João não dançava, comia,
Só de uma vez cinco frangos.
Em total abatimento,
Lembrei-me do Hevi da Cruz…
Se visse tanta matança
O que diria Jesus!
Em qualquer parte onde eu ia,
Estavam potes de borco.
Carnes de gado no abate,
Carne cabra e de porco.
Por que, meu Deus, perguntei,
Neste dia sem igual,

Há tanta morte
Sobre as horas do Natal?
O homem do dia-a-dia
Matava só por prazer…
O homem não acharia
Outra coisa pra comer?
As espécies de animais
Recebem nos dias seus,
A bondade e a proteção
Que chegaram do amor de Deus.
Ante o Natal de Jesus,
Guardando os princípios sãos,
Comer carne, não tanto,
Deus bendirá vossas mãos.”

.

XAVIER, F. C.; JAIR PRESENTE (Espírito). Agência de notícias. Capítulo “Dia da criança”:

“Dia da Criança,
Tempo de esperança.
Menino que brinca e rola
Não esqueça da escola.
Em todos os locais,
Respeite os seus pais,
Não estrague, nem fira
As plantas e animais.”

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XAVIER, F. C.; JAIR PRESENTE (Espírito). Loja de alegria. Capítulo “Atração”:

“Você deseja o sentido
Daquela lição segura:
-“Cada pessoa na vida
Acha aquilo que procura.”
O ensino vem do Evangelho
Com tamanha singeleza
Que para ser explicado
Basta ver na Natureza.
No belo mundo das aves,
A andorinha persevera,
Buscando incessantemente
O lugar na Primavera.
A mosca se movimenta
Com diligência incontida,
Tentando refugiar-se,
Nessa ou naquela ferida.
A abelha deixa a colmeia

E, sempre ativa e fiel,
Acha a flor que lhe garante
As substâncias do mel.
O abutre, sisudo e firme
Voa, alto, mas, no fundo,
Quase sempre, só se farta
Nos excrementos do mundo.
Assim somos nós também…
Segundo a questão exposta,
Somente achamos nos outros
Aquilo que a gente gosta.”

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XAVIER, F. C.; JAIR PRESENTE (Espírito). Palco iluminado. Mensagem “Alimentos e animais”:

“Meu caro Neca da Silva
Depois de suas andanças,
Em pocilgas e currais,
Eis que você me pergunta
Se vale a pena comer
A carne dos animais.
Você faz notas, a jorro,
Nos comentários do assunto,
Diz que viu gente vendendo
Carne de gato e cachorro.
Demonstrando grande susto,
Indaga você com asco
Se esse hábito é justo
Mesmo em festas com churrasco.
Você sabe: enquanto a gente
Está no mundo, afinal,
Quase ninguém dá valor
À existência do animal.
Comemos, com desrespeito,
Cobras, macacos, cabritos,
Carneiros em profusão,
Que morrem chorando aflitos;
Trinchamos bois às manadas
E pobres vacas doentes
Que tombam desesperadas.

Devoramos caititus,
Jacarés, ratos do campo,
Tamanduás e tatus.
O amigo Juca Mendonça,
Em sua casa no sítio,
Adora carne de onça.
De rãs e leitões gorduchos,
É sempre grande a procura,
E há quem estime a farofa
Com bumbuns de tanajura.
Dessa prática em geral,
De agressão a tantas vidas,
Vão surgindo em toda parte
Moléstias desconhecidas.
A solução do problema

Para nós está no escuro;
Esperemos vida nova
Que apareça no futuro.
Quanto ao mais é paciência…
Depois proteja os animais,
Calma é remédio bem-vindo.
O homem faz a matança
E as doenças vão seguindo…”

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JOÃO DE DEUS

XAVIER, F. C.; JOÃO DE DEUS (Espírito). Jardim da infância. Capítulo “Natureza”:

“O livro da Natureza,
Repleto de resplendores,
Com jardins encantadores
Abertos em flores mil,
É o livro sublime e vivo
Em que Deus se manifesta,
Desde a raiz da floresta
Aos horizontes de anil.”

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XAVIER, F. C.; JOÃO DE DEUS (Espírito). Jardim da infância. Capítulo “Primavera”:

A primavera no prado
Toda vestida de flores
Trouxe lençóis multicores
Que brilham ao sol dourado.
Parece a festa das cores
No caminho perfumado,
Para a alegria do arado
E paz dos trabalhadores.
Minúsculos passarinhos
Entoam, nos altos ninhos,
Cantos de amor e inocência…”

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XAVIER, F. C.; JOÃO DE DEUS (Espírito). Jardim da infância. Capítulo “Conversando”:

“Mão pequenina e boa
Não atire pedrada aos passarinhos,
Não torture animais…
A vida é luz que Deus aperfeiçoa,
Nos lares, nos estábulos, nos ninhos,
Qual o melhor dos pais.
Ouça, meu pequenino terno e puro,
A mão frágil que mata ou dilacera,
Inimiga do bem,
Nos caminhos distantes do futuro,
Pode tornar-se a pata de uma fera
Matando homens também…”

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MARIA DOLORES

XAVIER, F. C.; MARIA DOLORES (Espírito). Dádivas de amor. Capítulo “Tempo de natal”:

“Que o mundo Te receba as bênçãos naturais,
Doando mais amor aos animais,
Que nunca desampare as árvores amigas,
Não envenene os ares,
Nem tisne as fontes, nem polua os mares.
Que o ódio seja, enfim, esquecido, de todo,
Que a guerra seja posta nos museus,
Que em todos nós impere o imenso amor de Deus.
Que o Teu Natal se estenda ao mundo inteiro
E que, pensando em Teu amor,
De cada amanhecer
Que todos resolvamos a fazer
Um dia novo de Natal…
E que, encontrando alguém,
Possamos repetir, tocados de alegria,

De paz, amor e luz:
– Companheiro, bom dia,
Hoje também é dia de Jesus.”

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XAVIER, F. C.; MARIA DOLORES (Espírito). Caminhos do amor. Capítulo “O amigo leal”:

“Falávamos de afeto e ligações humanas,
Destacando uniões formosas e ideais,
Tanto quanto anotando atitudes insanas
Que, muita vez, transpiram
De casos passionais,
Quando um amigo afável e sizudo,
Que nos seguia o estudo,
Exclamou para nós, de modo convincente:
– Tudo quanto dizes é verdade inconteste
Sobre os entes queridos que lembrais,
Entretanto, igualmente,
Se falamos de amor, é preciso se ateste
O amor dos animais
E como se tivesse ali, de lado,
O passado recente,
Contou, emocionado:

– Em minhas lides de engenheiro,
Fui, certa vez, designado
Para serviços na fronteira;
Levei comigo a companheira,
O pequeno filhinho, um garoto de aninho,
– E o nosso velho cão policial
Que recebera, em nossa companhia,
O nome de Leal.
No trabalho incessante em que me via,
Fosse qual fosse o ambiente,
Possuía em Leal o cão valente
Que nos guardava a casa, dia-a-dia;
Ensinei-o a velar por nosso pequenino
E dedicou-se o cão, de tal maneira,
Que mantinha atenção, semana inteira,
Entre a porta do quarto e o berço do menino.
Morávamos, então, no agreste bravo…
Achavam-se, não longe, algumas feras;
Era o lobo e, além dele, era o jaguar,
A rondarem malocas e taperas…
Necessário, porém, agir e trabalhar,
Orientando a agrimensura.
Tinha sempre dois homens, de vigia,
Na defesa do lar,
Junto de atenciosa governanta.

Minha esposa saía
Algumas vezes para compras justas,
Usando o nosso jipe reforçado
Para atingir pequeno povoado…
O narrador fez pausa e tornou, em seguida,
Expressando-se em voz mais comovida:
– Certo dia de ação com mais ampla demora
Voltei ao lar, mais tarde… Noite escura…
Ausentara-se a esposa e a governanta
Atendia, em conversa, um tanto lá por fora,
A diversos parentes
Que, por certo, lhe vinham à procura…
Os vigias andavam pela brenha
Buscando para nós
Alguns feixes de lenha…

Acompanhado de um amigo,
Ansioso, ouvi a voz
De meu filhinho em algazarra…
Naquele choro de pavor,
Pressentia perigo
Francamente, a gelar-me…
Em vão, tentei fazer qualquer alarme;
O companheiro me seguia,
Enquanto, em minha inquietação,
Só escutava a gritaria
Do filhinho a cortar-me o coração…
Varei a porta aberta
Da habitação que vi claramente deserta…
Foi, então, que a tremer, desorientado,

Vi o cão a correr para junto de nós;
Leal se nos mostrava, ensanguentado…
Mancando, ele gania,
Não sei se de loucura ou de agonia…
O companheiro disse a mim:
– O cão está zangado, dê-lhe o fim,
É preciso afastá-lo, sem tardança,
Deve ter atacado a indefesa criança.
Tomado de terror, atirei sobre o cão,
E, ganhando os recessos do aposento,
Vi meu filhinho salvo, aconchegado ao leito,
Sem qualquer sofrimento,
Mas um jaguar jazia, ali no chão,

Certamente abatido por Leal.
O cão, com segurança e eficiência,
Liquidara, afinal,
A fera perigosa
Que penetrara em nossa residência.
Com meu filho nos braços
Retornei à presença de meu cão;
Ansiava mostrar-lhe a nossa gratidão,
Mas Leal enviou-me um derradeiro olhar…
Sufocado pela dor, nada pude falar.
No instante de morrer, no terrível revés,
Leal ainda arrastou-se com cuidado
Para beijar-me os pés!…
Calou-se o narrador,
Sob o peso cruel da própria dor.

Depois, disse a chorar:
– Neste Infinito Espaço em que habitamos,
Deve haver um lugar
Que acolha os animais,
Amigos quase humanos,
Em plena evolução, à busca de outros planos…
Sempre aceitei os cães por nossos cireneus,
Os animais também são criaturas de Deus…
Aquela história viva,
Que ouvíramos, ali, de ânimo atento,
Fez o ponto final de nosso entendimento.
No entanto, o companheiro,
Que nos falava de Leal,
Fitava o Azul Imenso, a Pátria Universal,

E, qual se transmitisse um sublime recado
Ao próprio coração,
Clamava, consternado:
– Deus não me negará resposta à constante oração…
Hei de achar o meu cão!… Hei de achar o meu cão!…”

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XAVIER, F. C.; MARIA DOLORES (Espírito). Coração e Vida. Capítulo “História de um cão”:

“Falávamos de amor, de heroísmo e ternura,
Nos caminhos da Terra, em lutas naturais,
Quando um amigo lembrou: “Não se deve esquecer
O amor dos animais”.
E contou comovido:
– Quando na Terra, um pobre cão rafeiro
Que eu nunca soube de onde vinha,
Fez-se meu companheiro
Na tapera isolada que eu mantinha.
Era um cão vagabundo, um desses cães,
Cujo medo de banho desconsola,
Vendo-lhe a boca enorme e as bochechas caídas,
As crianças chamavam-no Beiçola.
Bernento e preguiçoso, muitas vezes,
Procurei desterrá-lo,

Mas Beiçola voltava e me seguia
Estivesse eu a pé ou trotando a cavalo.
Já não sabia o que fazer do cão,
Que já me habituara a suportar
Num misto de amizade e de aversão.
Certa manhã de Sábado, eu devia,
Ir do campo à cidade,
A fim de resgatar antiga conta
Cujo prazo vencia.
Montei no meu pequira muito cedo
De merenda robusta na sacola,
E pus-me alegremente no caminho
Acompanhado por Beiçola.
Desmontei-me às dez horas para o almoço,
Transportando a merenda para baixo,

Ao pé de velha ponte que cobria
Um pequeno riacho…
Alimentei-me à farta e dei ao cão
Tudo que me sobrou da refeição…
Tomei de novo a montaria
Açoitei o animal para seguir depressa,
O débito a pagar daquele dia,
Mas uma cena estranha então começa.
Beiçola, de ordinário, pachorrento,
Intentava correr, de lado a lado,
Em uivos e latidos…
Depois correu à frente,
Como a querer parar o pequira assustado.
O cão dependurava-se nos freios,
Enquanto eu lhe gritava nomes feios;

Espanquei-o a chicote, mas em vão…
E cansado de vê-lo a pular, doidamente,
Conclui, de repente,
Que a doença da raiva atacara meu cão…
Agi sem medo, rápido e seguro,
Dei-lhe um tiro com o fim de elimina-lo,
De modo a defender-me e a livrar meu cavalo.
Beiçola então soltou doloroso gemido,
Caminhou para trás, claramente ferido,
Enquanto fui em frente…
Mas atingindo o banco e buscando o gerente,
A fim de resgatar a minha conta inteira,
Debalde procurei minha carteira…
No assombro que me toma,
Notei que me faltava grande soma…
Decerto que perdera o dinheiro em caminho
Pois saíra com ele da fazenda…
Deliberei voltar ao local da merenda,

Pedi ao chefe amigo aguardar mais um pouco
E aflito, semi-louco,
Remontei o cavalo e voltei de corrida…
Regressando ao lugar em que estivera…
E o amigo rematou, emocionado:
– Só então compreendi quão ingrato que eu era…
Sabem o que encontrei?
Após seguir pequeno espaço
Todo ele marcado em sangue, traço a traço,
Achei Beiçola já sem vida…
E ao arrasta-lo para um canto,
Vi, sob o corpo dele, a estremecer de espanto,
A carteira perdida…
Ah! Como me doeu o coração
De susto e de emoção!…
Não sei dizer tudo o que sinto,
Por muito que lhes conte,

Meu pobre cão rafeiro,
Cuja lembrança está sempre comigo,
Arrastou-se ferido e, após ganhar a ponte,
Morreu fiel e amigo,
Guardando o meu dinheiro.”

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MARIA JOÃO DE DEUS

XAVIER, F. C.; MARIA JOÃO DE DEUS (Espírito). Cartas de uma morta. 17 ed. São Paulo: LAKE, 2016. 197 p. Capítulo 56 “Sem vícios, sem maus costumes e sem guerras”, pp. 85:

“Não vivem (habitantes de Saturno), como na Terra, uma existência saturada de vícios e de maus costumes, nem se nutrem sacrificando vidas, mas conforme a natureza, aproveitando-se daquilo que ela nos proporciona espontânea e naturalmente, alimentando-se com frugalidade.”
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XAVIER, F. C.; MARIA JOÃO DE DEUS (Espírito). Cartas de uma morta. 17 ed. São Paulo: LAKE, 2016. 197 p. Capítulo 117 “A evolução marciana”, pp. 182:

“Assegurou-me, ainda, o desvelado mentor espiritual, que a humanidade de Marte evoluiu mais rapidamente que a da Terra e que desde os pródromos da formação dos seus núcleos sociais, nunca precisou destruir para viver, longe das concepções dos homens terrenos cuja vida não prossegue sem a morte e cujos estômagos estão sempre cheios de vísceras e de virtualhas de outros seres da criação.”
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MEIMEI

XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Pai Nosso. Capítulo “A necessidade do esforço”:

“Conta-se que, no princípio da vida terrestre, o alimento das criaturas era encontrado como oferta da Divina Providência, em toda parte.
Em troca de tanta bondade, o Pai Celeste rogava aos corações mais esforço no aperfeiçoamento da vida.
O povo, no entanto, observando que tudo lhe vinha de graça começou a menosprezar o serviço.
O mato inútil cresceu tanto, que invadia as casas, onde toda a gente se punha a comer e dormir.
Ninguém desejava aprender a ler.
A ferrugem, o lixo e o mofo apareciam em todos os lugares.
Animais, como os cães que colaboram na vigilância, e aves, como os urubus que auxiliam nas obras de limpeza, eram mais prestativos que os homens.

Vendo que ninguém queria corresponder à confiança divina, o Pai Celestial mandou retirar as facilidades existentes, determinando que os habitantes da Terra se esforçassem na conquista da própria manutenção.
Desde esse tempo, o ar e a água, o Sol e as flores, a claridade das estrelas e o luar continuaram gratuitos para o povo, mas o trabalho forçado da alimentação passou a vigorar como sendo uma lei para todos, porque, lutando para sustentar-se, o homem melhora a terra, limpa a habitação, aprende a ser sábio e garante o progresso.
Deus dá tudo. O solo, a chuva, o calor, o vento, o adubo e a orientação constituem dádivas dEle à Terra que povoamos e que devemos aprimorar, mas o preparo do pão de cada dia, através do nosso próprio suor e da nossa própria diligência, é obrigação comum a todos nós, a fim de que não olvidemos o nosso divino dever de servir, incessantemente, em busca da Perfeição.”

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XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Pai Nosso. Capítulo “O exemplo da árvore”:

“Dizem que quando a primeira árvore apareceu na Terra, trazia do Pai Celestial a recomendação de alimentar o homem e auxiliá-lo, em nome do Céu, por todos os meios que lhe fosse possível.
[…]
O homem infeliz começou a meditar no exemplo da árvore venerável, incumbida por Deus de cooperar na distribuição do alimento de cada dia na Terra, e, nela reconhecendo verdadeira emissária do Céu, que lhe saciara a fome e lhe dispensara maternal proteção, abandonou o mal em que se havia mergulhado e passou a ser outro homem.”

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XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Deus aguarda. Capítulo “Deus aguarda”:

“O Irmão da experiência comunitária te reclama simpatia, os necessitados aguardam, pelo socorro que se te faça possível; o animal te esmola proteção, a planta te requisita respeito, a fonte espera lhe faças a preservação e a defesa, o ambiente em que vives conta contigo, na execução dos próprios deveres, a fim de que a paz felicite a vida de todos… E se estiveres de pensamento acordado, ante os princípios do Bem Eterno, compreenderás, em todas as situações e em todos os lugares, que Deus necessite de tua colaboração e espera por ti.”
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XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Deus aguarda. Capítulo “Deus é amor”:

“Então, o orientador indagou do réu se não lembrava, por si mesmo, algum bem que havia feito. Não teria, porventura, auxiliado em favor de alguma criança perdida ou amparado a essa ou aquela viúva sem ninguém? Nunca se aproximara de um mendigo doente, buscando reduzir-lhe as necessidades? Acaso, não haveria socorrido algum animal apedrejado ou protegido alguma fonte?”
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XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Pai Nosso. Capítulo “Lembranças”:

“A Natureza diariamente glorifica a Divina Bondade, na luz do Sol, na suavidade do vento, no canto das aves e no perfume das flores.
Quem ajuda as plantas e os animais revela respeito e carinho na Criação de Nosso Pai Celestial.
[…]
No canto dos passarinhos,
No campo, no mar, na flor,
A vida está repetindo:
– Louvado seja o Senhor!…”

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XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Instruções psicofônicas. Capítulo “Boa vontade” (Espírito Meimei):

“O amor e o serviço lutam sem alarde, construindo o progresso e enaltecendo a vida.
Com a boa-vontade, aprendemos a encontrar o irmão que chora, o companheiro em dificuldade, o doente infeliz, a criança desamparada, o animal ferido, a árvore sem proteção e a terra seca, prestando-lhes cooperação desinteressada, e é por ela que podemos exercitar o dom de servir, através das pequeninas obrigações de cada dia, estendendo mãos fraternas, silenciando a acusação descabida, sofreando a agressividade e calando a palavra imprudente.
Situemo-la no princípio de todas as nossas atividades, a fim de que as nossas iniciativas e anseios, conversações e entendimentos não se desviem da luz.
Lembremo-nos de que a paz e a boa-vontade devem brilhar em nossos triunfos maiores ou menores com o nosso Divino Mestre.
É por isso que o Evangelho no berço de Jesus começa com a exaltação inesquecível das milícias celestiais:
— «Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa-vontade para com os homens.»”

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XAVIER, F. C.; MEIMEI (Espírito). Cartilha do bem. Capítulo “Meus filhos”:

“E encontramos braços que ferem e amaldiçoam, que se entregam ao crime, que humilham os pobres e os pequeninos, que exercem a crueldade, e que violentam a Natureza, aniquilando as plantas e os animais prestimosos.”
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MILTON DA CRUZ

XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Os dois maiores amores. Poesia do Espírito Milton da Cruz:

Natal!… Quem louva Jesus,
Com júbilos imortais,
Suprime, esquece ou reduz
A morte dos animais.”

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NEIO LÚCIO

XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Alvorada Cristã. Capítulo “A decisão sábia”:

“[…] Despedindo-se, o rei levantou-se, fez-se visto de todos e falou ao vassalo inteligente:
— Genial matemático: a autoridade de minha coroa determina que sua obra de raciocínio seja premiada com cem peças de ouro que os cofres reais levarão ao seu crédito, ainda hoje, em homenagem à sua paciência e habilidade. Essa remuneração, todavia, não lhe visa somente o valor pessoal, mas também certos benefícios que a sua máquina vem trazer a muitos homens e mulheres de meu reino, menos afeitos às virtudes construtivas que todos devemos respeitar neste mundo. Enquanto jogarem suas bolas de madeira, possivelmente muitos indivíduos, cujos instintos criminosos ainda se acham adormecidos, se desviarão do delito provável e muitos caçadores ociosos deixarão em paz os animais amigos de nossas florestas.
O monarca fez comprida pausa e a multidão prorrompeu em aplausos delirantes.
Via-se o inventor cercado de abraços, quando o soberano recomeçou:
– Devo acrescentar, porém, que a sabedoria de meu cetro ordena que o senhor seja punido com cinquenta dias de prisão forçada, a fim de que aprenda a utilizar sua capacidade intelectual em benefício de todos.

A inteligência humana é uma luz cuja claridade deve ser consagrada à cooperação com o Supremo Senhor, na Terra. Sua invenção não melhora o campo, nem cria trabalho sério; não ajuda as sementes, nem ampara os animais; não protege fontes, nem conserva estradas; não colabora com a educação, nem serve aos ideais do bem. Além disso, arrasta centenas de pessoas, qual se verificou neste dia, conosco, a perderem valioso tempo na expectativa inútil. Volte aos seus abençoados afazeres mentais, mesmo no cárcere, e dedique sua inteligência a criação de serviço e utilidades em proveito de todos, porque, se o meu poder o recompensa, a minha experiência o corrige.
Quando o rei concluiu e desceu da tribuna, o inventor se fizera muito pálido, o povo não bateu palmas; entretanto, toda gente aprendeu, na decisão sábia do grande soberano, que ninguém deve menosprezar os tesouros da inteligência e do tempo sobre a Terra.”

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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Alvorada Cristã. Capítulo “A conta da vida”:

“Quando Levindo completou vinte e um anos, a Mãezinha recebeu-lhe os amigos, festejou a data e solenizou o acontecimento com grande alegria.
No íntimo, no entanto, a bondosa senhora estava triste, preocupada.
O filho, até à maioridade, não tolerava qualquer disciplina. Vivia ociosamente, desperdiçando o tempo e negando-se ao trabalho. Aprendera as primeiras letras, a preço de muita dedicação materna, e lutava contra todos os planos de ação digna.
Recusava bons conselhos e inclinava-se, francamente, para o desfiladeiro do vício.
Nessa noite, todavia, a abnegada Mãe orou, mais fervorosa, suplicando a Jesus o encaminhasse à elevação moral. Confiou-o ao Céu, com lágrimas, convencida de que o Mestre Divino lhe ampararia a vida Jovem.
As orações da devotada criatura foram ouvidas, no Alto, porque Levindo, logo depois de arrebatado pelas asas do sono, sonhou que era procurado por um mensageiro espiritual, a exibir largo documento na mão.

Intrigado, o rapaz perguntou-lhe a que devia a surpresa de semelhante visita.
O emissário fitou nele os grandes olhos e respondeu:
— Meu amigo, venho trazer-te a contados seres sacrificados, até agora, em teu proveito.
Enquanto o moço arregalava os olhos de assombro, o mensageiro prosseguia:
— Até hoje, para sustentar-te a existência, morreram, aproximadamente, 2.000 aves, 10 bovinos, 50 suínos, 20 carneiros e 3.000 peixes diversos.
Nada menos de 60.000 vidas do reino vegetal foram consumidas pela tua, relacionando-se as do arroz, do milho, do feijão, do trigo, das várias raízes e legumes.
Em média calculada, bebeste 3.000 litros de leite, gastaste 7.000 ovos e comeste 10.000 frutas.
Tens explorado fartamente as famílias de seres do ar e das águas, de galinheiros e estábulos, pocilgas e redis. O preço dos teus dias nas hortas e pomares vale por uma devastação.
Além disto, não relacionamos aqui os sacrifícios maternos, os recursos e doações de teu pai, os obséquios dos amigos e as atenções dos vários benfeitores que te rodeiam.

Em troca, que fizeste de útil? Não restituíste ainda à Natureza a mínima parcela de teu débito imenso. Acreditas, porventura, que o centro do mundo repousa em tuas necessidades individuais e que viverás sem conta nos domínios da Criação? Produze algo de bom, marcando a tua passagem pela Terra. Lembra- te de que a própria erva se encontra em serviço divino. Não permitas que a ociosidade te paralise o coração e desfigure o espírito!…
O moço, espantado, passou a ver o desfile dos animais que havia devorado e, sob forte espanto, acordou…
Amanhecera.
O Sol de ouro como que cantava em toda parte um hino glorioso ao trabalho pacífico.
Levindo escapou da cama, correu até à genitora e exclamou:
— Mãezinha, arranje-me serviço! Arranje-me serviço!…
— Oh! Meu filho — disse a senhora num transporte de júbilo —, que alegria! Como estou contente!… Que aconteceu?

E o rapaz, preocupado, informou:
— Nessa noite passada, eu vi a conta da vida.
Daí em diante, converteu-se Levindo num homem honrado e útil.”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Luz no lar. Capítulo “Culto cristão no lar” (Espírito Neio Lúcio):

“[…] – Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do céu. Se a claridade é a expansão dos raios que constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.
Simão Pedro fitou no Mestre os olhos humildes e lúcidos e, como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:
-Mestre, seja feito como desejas.
Então Jesus, convidando os familiares do apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão do lar.”

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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Mensagem do pequeno morto. Capítulo “Consciência”:

“Tenho aprendido aqui muitas lições inesperadas.
Jamais pensei que uma criança preguiçosa pudesse fazer tanto mal.
Desde que reconheci isso, meu irmão, tenho chorado muito.
Lembra-se de Bichaninho, o gato de dona Susana, que eu matei a pedradas?
Oh!… Como me custa contar tudo a você!…
Aqui, nas aulas do Parque, à medida que fui recebendo os ensinos do nosso professor de obrigações humanas, fui recordando minha falta mais nitidamente. O conhecimento de nós mesmos diante do Universo e da Vida, ao que me parece, acende uma luz, muito forte nas zonas, mais íntimas de nosso ser. Com essa claridade misteriosa, minhas recordações dos dias que se foram surgem completas e movimentadas em minha imaginação. É assim que, penetrando o fundo de mim mesmo, revi minha vítima, ouvindo-lhe, de novo, os gemidos angustiosos. Inundada pela luz da verdadeira compreensão, minha visão interior permanecia como que alterada. Comecei a ver Bichaninho, em toda a parte. Trazia-o comigo no estudo e no recreio, no serviço e no descanso.
Chegou um momento em que eu não pude mais. Gritei com toda a força. Pedi socorro ao professor e aos colegas. Nosso instrutor falava, justamente nesse instante, sobre o amor e a gratidão que devemos aos animais e, dentro de minha consciência, nesse minuto inesquecível, os olhos aflitos do gatinho pareciam procurar os meus, suplicando piedade.
Vencido, ajoelhei-me em pranto, confessei minha falta grave em alta voz e supliquei ao orientador das lições me afastasse daquele quadro terrível.
Voltaram-se para mim os companheiros, assustados, quando cai, gritando.

O instrutor, todavia, sorriu, benévolo como sempre, aproximou-se, abraçando-me paternalmente, e disse:
– Já sei o que lhe ocorre, meu filho! Tenha calma e paciência. Você está melhorando, porque já descobre as próprias faltas por si mesmo.
Reparei que ele se achava igualmente comovido. Mostrava os olhos rasos d’água.
Depois de longa pausa, afagou-me a cabeça e explicou:
Porque você matou esse gato trabalhador e inocente, sem necessidade, a imagem da vítima está profundamente associada às suas lembranças.
Compreendendo que o professor enxergava quanto se achava oculto em minhas recordações, abracei-me a ele e supliquei:
Meu protetor, meu amigo, ajude-me por piedade!

Ouviu-me com emoção a súplica e compadeceu-se efetivamente de mim, porque impôs as mãos acolhedoras sobre a minha cabeça e orou com sentimento tão sublime, em favor de minha tranquilidade, que senti repentina renovação. Aquelas mão carinhosas irradiaram intensa luz que me penetrou todo o ser, e aquele banho de energias novas, aliado ao alívio da confissão diante de todos, apaziguou-me o espírito.”
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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Mensagem do pequeno morto. Capítulo “Reparação”:

“Terminada a prece, recompus a fisionomia, pedindo ao professor me ensinasse o melhor recurso de resgatar o erro cometido por mim noutro tempo.
Recomendou-me, então, em preleção que servisse para todos os alunos da classe, a aproveitar o ensino e a experiência, dispensando o possível carinho dos animais, que são igualmente criaturas de Deus em marcha progressiva para o aperfeiçoamento, como todos nós, e exortou-me a renovar as recordações daquela hora, com orações fervorosas e sinceros propósitos de nunca mais destruir a vida dos seres frágeis e inofensivos da Criação Divina.
Em seguida, comentou as consequências desastrosas de nossos gestos impensados ou criminosos, que espelham desarmonias e perturbações.
Explicou que tem visto inúmeros meninos com os quais se verificou o que ocorria, embora fossem outros os fatos lamentáveis recordados. Lembrou muitas crianças de grande porte, com bastante entendimento, que passam longas horas derrubando ninhos, prendendo aves ou matando-as sem consideração, perseguindo cães trabalhadores ou apedrejando, por perverso prazer, animais úteis e mansos.

Esclareceu que todos os jovens dessa espécie experimentam aqui provações bem amargas, sendo obrigados a reparar as faltas que levaram a efeito no mundo, com absoluto menosprezo das respeitáveis determinações dos pais ou dos bons conselhos das pessoas mais velhas.
Desde então, lembro-me de Bichaninho, sinto-lhe, ainda, a imagem dentro de mim; entretanto, com o poder da prece, meu pensamento tranquilizou-se, voltando ao passado em atitude de sincero arrependimento, pedindo perdão.
Humilhei os meus sentimentos caprichosos, dos quais sempre ocultara o lado mau, e, por isso, tenho melhorado.
Já não possuo mais ócios e nem horas desaproveitadas.
Em todos os instantes consagrados a recreios e diversões, encontro árvores para cuidar e animaizinhos daqui, aos quais posso auxiliar com eficiência e proveito.
Eu, que tanto me alegrava vendo as aves perseguidas pelos meninos fortes, hoje me dedico a ajudar pequenos pássaros na construção de ninhos.
E observo que, diante da minha atitude interior transformada, todas as pessoas que me cercam como que se transformaram para mim. Recebo olhares afetuosos e agradecidos de toda a parte. Os professores e colegas parecem-me mais simpáticos, mais amigos.
Notando-me o sincero esforço para corrigir-me, ninguém me falou do gato apedrejado.
O episódio triste foi esquecido bondosamente por todos.
Devo às árvores e aos passarinhos, aos quais me tenho consagrado nos últimos tempos, as alegrias que me enchem o coração.
Tenho quase certeza de que Bichaninho me perdoou a maldade. Sinto que fiz a paz comigo mesmo e creio que, se eu voltasse presentemente para casa, seria melhor filho e melhor irmão.
Oh, Dirceu, nunca atormente nem mate os animais úteis e inofensivos! Tenho chorado muito para reparar o erro que cometi.”

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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Mensagem do pequeno morto. Capítulo “Conclusões”:

“Não maltrate nem persiga os animais úteis ou inofensivos. É muito lamentável atitude de todos aqueles que convertem a vida terrena num instrumento de perturbação e destruição para os mais fracos.”
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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Alvorada Cristã. Capítulo “O aprendiz desapontado”:

“Um menino que desejava ardentemente residir no Céu, numa bonita manhã, quando se encontrava no campo, em companhia de um burro, recebeu a visita de um anjo.
Reconheceu, depressa, o emissário de Cima, pelo sorriso bondoso e pela veste resplandecente.
Alucinado de júbilo, o rapazelho gritou:
— Mensageiro de Jesus, quero o paraíso! Que fazer para chegar até lá?!
O anjo respondeu com gentileza:
— O primeiro caminho para o Céu é a obediência e, o segundo, é o trabalho.
O pequeno, que não parecia muito diligente, ficou pensativo.
O enviado de Deus então disse:
— Venho a este campo, a fim de auxiliar a Natureza que tanto nos dá.
Fixou o olhar mais docemente na criança e rogou:
— Queres ajudar-me a limpar o chão, carregando estas pedras para o fosso vizinho?
O menino respondeu:
— Não posso. Todavia, quando o emissário celeste se dirigiu ao burro, o animal prontificou-se a transportar os calhaus, pacientemente, deixando a terra livre e agradável. Em seguida, o anjo passou a dar ordens de serviço em voz alta, mas o menino recusava-se a contribuir, enquanto o burro ia obedecendo.
No instante de mover o arado, o rapazinho desfez-se em palavras feias, fugindo à colaboração.
O muar disciplinado, contudo, ajudou quanto pôde, em silêncio.
No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o pequeno repousava e o burro trabalhava.
Em todas as medidas iniciais da lavoura, o pesado animal agia cuidadoso, colaborando eficientemente com o lavrador celeste; entretanto, o jovem, cheio de saúde e leveza, permaneceu amuado, a um canto,
choramingando sem saber porquê e acusando não se sabe a quem.
No fim do dia, o campo estava lindo.
Canteiros bem desenhados surgiam ao centro, ladeados por fios de água benfeitora.

As árvores, em derredor, pareciam orgulhosas de protegê-los. O vento deslizava tão manso que mais se assemelhava a um sopro divino cantando nas campânulas do matagal.
A Lua apareceu espalhando intensa claridade. O anjo abraçou o obediente animal, agradecendo-lhe a contribuição. Vendo o menino que o mensageiro se punha de volta, gritou, ansioso:
— Anjo querido, quero seguir contigo, quero ir para o Céu!…
O emissário divino respondeu, porém:
— O paraíso não foi feito para gente preguiçosa. Se desejas encontrá-lo, aprende primeiramente a obedecer com o burro que soube receber a bênção da disciplina e o valor da educação.
E assim esclarecendo subiu para as estrelas, deixando o rapazinho desapontado, mas disposto a mudar de vida.”

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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Alvorada Cristã. Capítulo “A falsa mendiga”:

“[…] Todos os vizinhos e conhecidos julgaram que a alma de Zezélia fora diretamente para o Céu; entretanto, não foi assim.
Ela acordou em meio dum campo muito escuro e muito frio. Achava-se sem ninguém e gritou, aflita, pelo socorro de Deus.
Depois de muito tempo, um anjo apareceu e disse-lhe, bondoso:
— Zezélia, que deseja você?
— Ah! — observou, muito vaidosa — já sou conhecida na Casa Celestial?
— Há muito tempo — informou o emissário, compadecido.
A velha começou a chorar e rogou em pranto:
— Tenho sofrido muito!… Quero o amparo do Alto!…
— Mas, ouça! — esclareceu o mensageiro — o auxílio divino é para quem trabalha.
Quem não planta, nada tem a colher. Você não cavou a terra, não cuidou de plantas, não ajudou os animais, não fiou o algodão, não teceu fios, não costurou o pano, não amparou crianças, não fez pão, não lavou roupa, não varreu a casa, não cuidou de flores, não tratou nem mesmo de sua saúde e de seu corpo…
Como pretende receber as bênçãos de Cima?

A infeliz observou, então:
— Nada podia fazer… Eu era mendiga…
O anjo, contudo, replicou:
— Não, Zezélia! — você não era mendiga. Você foi simplesmente preguiçosa.
Quando aprender a trabalhar, chame por nós e receberá o socorro celeste.
Cerrou-se-lhe aos olhos o horizonte de luz e, às escuras, Zezélia voltou para a Terra, a fim de renovar-se.”

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XAVIER, F. C.; NEIO LÚCIO (Espírito). Alvorada Cristã. Capítulo “Dos animais aos meninos”:

“Meu pequeno amigo: Ouça.
Não nos faça mal, nem nos suponha seus adversários.
Somos imensa classe de servidores da Natureza e criaturas igualmente de Deus.
Cuidamos da sementeira para que lhe não falte o pão, ainda que muitos de nossa família, por ignorância, ataquem os grelos tenros da verdura e das árvores, devorando germens e flores. Somos nós, porém, que, na maioria das vezes, garantimos o adubo às plantações e defendemo-las contra os companheiros daninhos.
Se você perseguir-nos, sem comiseração por nossas fraquezas, quem lhe suprirá o lar de leite e ovos?
Não temos paz em nossas furnas e ninhos, obrigados que estamos a socorrer as necessidades dos homens.
Você já notou o pastor, orientando-nos cuidadosamente?
Julgávamo-lo, noutro tempo, um protetor incondicional que nos salvava do perigo por amor e lambíamos-lhe as mãos, reconhecidamente.
Descobrimos, afinal, que sempre nos guiava, ao fim de algum tempo, até ao matadouro, entregando-nos a impiedosos carrascos.

Às vezes, conseguíamos escapar por momentos, tornando até ele, suplicando ajuda, e víamos, desiludidos, que ele mesmo auxiliava o verdugo a enterrar-nos o cutelo pela garganta a dentro.
A princípio, revoltámo-nos. Compreendemos, depois, que os homens exigiam nossa carne e resignamo-nos, esperando no Supremo Criador que tudo vê.
As donas de casa que comumente nos chamam, gentis, através de currais, pocilgas e galinheiros, conquistam-nos a amizade e a confiança, para, em seguida, nos decretarem a morte, arrastando-nos espantados e semivivos à água fervente.
Não nos rebelamos.
Sabemos que há um Pai bondoso e justo, observando-nos, de certo, os padecimentos e humilhações, apreciando-nos os sacrifícios.

De qualquer modo, todavia, estamos inseguros em toda parte. Ignoramos se hoje mesmo seremos compelidos a abandonar nossos filhinhos em lágrimas ou a separar-nos dos pais queridos, a fim de atendermos à refeição de alguém. Por que motivo, então, se lembrará você de apedrejar-nos sem piedade?
Não nos maltrate, bom amigo.
Ajude-nos a produzir para o bem.
Você ainda é pequeno e, por isto mesmo, ainda não pode haver adquirido o gosto de matar. Não é justo, assim, colocarmo-nos de mãos postas, ante o seu olhar bondoso, esperando de seu coração aquele amor sublime que Jesus nos ensinou?”

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XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Antologia Mediúnica do Natal. 6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. 208 p. Capítulo 71 “O peru pregador” (Neio Lúcio), pp. 179-180:

“Um belo peru, após conviver largo tempo na intimidade duma família que dispunha de vastos conhecimentos evangélicos, aprendeu a transmitir os ensinamentos de Jesus, esperando-lhe também as divinas promessas. Tão versado ficou nas letras sagradas que passou a propagá-las entre as outras aves. De quando em quando, era visto a falar em sua estranha linguagem “glá-glégli-gló-glu”. Não era, naturalmente, compreendido pelos homens. Mas os outros perus, as galinhas, os gansos e os marrecos, bem como os patos, entendiam-no perfeitamente.
Começava o comentário das lições do Evangelho e o terreiro enchia-se logo. Até os pintinhos se aquietavam sob as asas maternas, a fim de ouvi-lo.
O peru, muito confiante, assegurava que Jesus Cristo era o Salvador do Mundo, que viera alumiar o caminho de todos e que, por base de sua doutrina colocara o amor das criaturas umas para com as outras, garantindo a fórmula de verdadeira felicidade na Terra. Dizia que todos os seres, para viverem tranquilos e contentes, deveriam perdoar aos inimigos, desculpar os transviados e socorrê-los.
As aves passaram a venerar o Evangelho; todavia, chegado o Natal do Mestre Divino, eis que alguns homens vieram aos lagos, galinheiros, currais e, depois de se referirem excessivamente ao amor que dedicavam a Jesus, laçaram frangos, patinhos e perus, matando-os ali mesmo, ante o assombro geral.
Houve muitos gritos e lamentações, mas os perseguidores, alegando a festa do Cristo, distribuíram pancadas e golpes à vontade.

Até mesmo a esposa do peru pregador foi também morta.
Quando o silêncio se fez no terreiro, ao cair da noite, havia em toda a parte enorme tristeza e irremediável angústia de coração.
As aves aflitas rodearam o doutrinador e crivaram-no de perguntas dolorosas. Como louvar um Senhor que aceitava tantas manifestações de sangue na festa de natalício? Como explicar tanta maldade por parte dos homens que se declaravam cristãos e operavam tanta matança? Não cantavam eles hinos de homenagem ao Cristo? Não se afirmavam discípulos d’Ele? Precisavam, então, de tanta morte e tanta lágrima para reverenciarem o Senhor?
O pastor alado, muito contrafeito, prometeu responder no dia seguinte. Achava-se igualmente cansado e oprimido. Na manhã imediata, ante o Sol rutilante do Natal, esclareceu aos companheiros que a ordem de matar não vinha de Jesus, que preferira a morte ao madeiro a ter de justificar, que deviam todos eles continuar, por isso mesmo, amando o Senhor e servindo-o, acrescentando que lhes cabia perdoar setenta vezes sete. Explicou por fim, que os homens degoladores estavam anunciados no versículo quinze do capítulo sete, do Apóstolo Mateus, que esclarece:
– “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. Em seguida, o peru recitou o capítulo cinco do mesmo evangelista, comentando as bem-aventuranças prometidas pelo Divino Amigo aos que choram e padecem no mundo.

Verificou-se, então, imenso reconforto na comunidade atormentada e aflita, porque as aves se recordaram de que o próprio Senhor, para alcançar a Ressurreição Gloriosa, aceitara a morte de sacrifício igual à deles.”
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NINA

XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Escultores de almas. Capítulo 6 “Páginas do coração” (Espírito Nina):

“O sol, por amor, sustenta os mundos de nossa família planetária, sem esquecer-se de oscular a pétala da rosa perdida no vale anônimo e correntemente desamparado.
Por saberem amar, as flores, em silêncio, refazem a beleza da Terra, quando os nossos irmãos infelizes aniquilam a natureza com os instrumentos da separação.”

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RODRIGUES DE ABREU

XAVIER, F. C.; Diversos Espíritos. Nosso livro. Capítulo “Encontro divino” (Espírito Rodrigues de Abreu):

“[…] Deslumbrando,
Sentiu nas flores, estrelas mudas,
Nas fontes, bênçãos do céu exiladas no solo,
E nas vozes humildes da natureza
O cântico da vida
A Bondade Imortal.”

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VENERANDA

XAVIER, F. C.; VENERANDA (Espírito). Os Filhos do Grande Rei. Capítulo “Auxiliares”:

“Observando que os serviços básicos da escola estavam prontos, o grande senhor chamou os conselheiros e lhes falou com bondade:
– Desejo confiar aos meus filhos alguns vegetais preciosos dos meus celeiros, a fim de que suavizem a luta do ganha-pão nos dias do futuro.
E, em breve, as árvores frutíferas eram cultivadas nos grandes patrimônios do educandário, junto dos legumes tenros e substanciosos. Troncos robustos estenderam traços verdes, carregados de flores e frutos; arbustos delicados derramaram grãos preciosos, e ervas frágeis ofereceram saborosas folhas. Para que produzissem harmoniosamente, determinou o rei que as chuvas fossem divididas e controladas.
Quando se misturavam, viçosos e triunfantes, os jardins e os pomares, o soberano convocou novamente os cooperadores e disse-lhes:
– Pretendo entregar aos meus filhinhos auxiliares amigos que os ajudem, gratuitamente, no aprendizado. Para isso, confiaremos à escola alguns seres ainda fracos de inteligência, que possam auxiliá-los, recebendo deles, ao mesmo tempo, carinho e educação.

Desde essa hora, numerosos animais foram trazidos ao educandário maravilhoso. Aves formosas e amigas povoaram os ares, louvando o Grande Senhor e purificando a atmosfera. Bois, cães, muares e ovelhas, ao lado de muitas outras criaturas úteis, passaram a cooperar, em favor dos pequenos príncipes, para que as lutas lhes fossem menos ásperas.”
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XAVIER, F. C.; VENERANDA (Espírito). Os Filhos do Grande Rei. Capítulo “Primeiros tempos”:

“Os primeiros tempos de recepção dos príncipes assinalaram-se por grandes e dilatados trabalhos de toda ordem.
Muitos não se adaptavam aos uniformes e voltavam da escola, medrosos e envergonhados. Outros acovardavam-se diante da extensão das águas e das florestas e não se animavam a atacar o trabalho, abandonando o vestuário, precipitadamente. Outros, ainda, declaravam-se doentes, depois dos primeiros dias de lições e serviços.
O Poderoso Rei, todavia, não se zangou, nem se aborreceu. Cuidando dos pequenos herdeiros com extrema ternura, determinou que os abnegados cooperadores de sua obra solucionassem as dificuldades do educandário. E os mensageiros do Grande Senhor vieram em número elevado, a fim de estudar os problemas e resolvê-los.
Com enorme dedicação, melhoraram a atmosfera, para que o ar fosse mais agradável aos meninos; organizaram mais perfeito escoamento para as águas; ajudaram os principezinhos a descobrir os frutos mais doces e saborosos; ensinaram-lhes a trazer o uniforme bem limpo; deram-lhes lições valiosas no trato com os animais; prestaram-lhes esclarecimentos sobre o fogo e a água; aproximaram-nos, uns dos outros, para que aprendessem a cultivar a fraternidade e a proteção mútua; puseram-lhes a prece no coração e nos lábios, e auxiliaram-nos a olhar o alto, cheios de confiança no Poder do Pai Amoroso e Supremo Governador.
Desde então, com o socorro eficiente dos emissários generosos, os pequenos herdeiros passaram a desenvolver-se com tranquilidade e segurança.”

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XAVIER, F. C.; VENERANDA (Espírito). Os Filhos do Grande Rei. Capítulo “Depois de crescidos”:

“Em breve, os filhos do Grande Rei, esquecendo os deveres que lhes cabiam desempenhar, começaram a humilhar, derrubar e perseguir. Destruíram árvores veneráveis sem plantar outras que as substituíssem; organizaram caçadas aos animais pacíficos, matando-os sem necessidade; aprisionaram os pássaros e passaram a fazer o que é mais doloroso – combateram-se uns aos outros, em guerras de sangue, deixando misérias e ruínas atrás de seus passos.
Para adquirirem supremacia e poder, honras e autoridade, assassinaram mulheres e crianças, velhos e doentes incapazes de fazer o mal.”
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XAVIER, F. C.; VENERANDA (Espírito). O caminho oculto. Capítulo “A ave ferida”:

“Prosseguia o menino na estrada, de volta a casa, e, depois de alguns passos, longe do curral, avistou uma ave ferida, incapaz de tornar ao voo.
Perverso caçador acertara-lhe o corpo frágil com um grão de chumbo.
A infeliz arrastava-se dificilmente, provocando piedade. As penas macias das asas mostravam rubros sinais de sangue.
Dirigiu a Leonardo um olhar de aflição e desalento, num apelo mudo de assistência e carinho.
Parecia dizer:
— “Tenho o ninho cheio de filhotes que me esperam!… saí, muito cedo, procurando alimento, mas fui visada por um homem mau, que me atingiu sem razão!… O’ bom menino! ajuda-me, em nome de nosso Pai Celestial! Auxilia-me a regressar!… Tenho medo, muito medo!… Lembra-te de tua mamãe que não desejava separar-se de ti e compadece-te do meu coração angustiado de mãe ferida! Meus filhinhos abençoarão teu nome, cantaremos em tua janela com alegria e gratidão!”.
O rapazinho, contudo, insensível ante aquela rogativa sem palavras, observou, rudemente:
— Ótima ocasião para a experiência do tiro ao alvo!…
Sem qualquer outra reflexão, apanhou uma pedra, a esmo, e, depois de mirar atentamente a cabeça arrepiada da ave infeliz, matou-a sem compaixão.”

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XAVIER, F. C.; VENERANDA (Espírito). Os Filhos do Grande Rei. Capítulo “Os príncipes”:

“Crescemos entre dádivas sublimes da Natureza, com todas as facilidades que o Poderoso Senhor nos concedeu. Apesar disso, porém, embora a beleza e a glória do educandário a que fomos conduzidos pela Bondade Celestial, por algum tempo, a fim de que possamos adquirir conhecimento e virtude, perdemos quase todo o tempo na preguiça e, orgulhosos, acreditamo-nos senhores da Criação… Quase sempre começamos em pequeninos a fugir de nossos deveres, a desprezar o trabalho, a esquecer os estudos que nos tornarão mais sábios e melhores, a oprimir a Natureza, a olvidar os direitos do próximo e, por isso, esbarramos na cegueira da descrença, nas feridas do mal, no frio do desânimo ou nas destruições da guerra…”
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WALLACE LEAL

XAVIER, F. C.; Espíritos diversos. Mãe. Prefácio “O cravo branco de Anna Jarvis” (por Wallace Leal):

“Dezenas de mensagens têm chegado, pelas fontes mediúnicas, dizendo aos espíritas que é preciso dar ao Natal o seu verdadeiro espírito.
Alguém, algum dia, fará isso!
Uma opinião, em processo de cristianização autêntica, vai desenhar as imensas do natal-pagão, cintilante em seus falsos ouropéis, desbragado, gargalhando de escárnio ante ao clamor dos bolsos vazios. Vai deter o rio de sangue de inocentes animais sacrificados, essa correnteza que tinge de escarlate os personagens todos de um presépio em Belém, cabras e ovelhas com seu calor para um recém-nascido pobre e desnudo, o jumento que serviu à inefável Mãe para descer das agruras escarpadas de Nazaré.
Quem poderá dizer que, nos recintos domésticos, os espíritas – que tão perto têm acesso a tal literatura de protesto! – modificaram esse Natal de alegrias falsas, garantindo por vinhos coniventes?!

Quem poderá dizer que eles o tentaram?
Todavia já detêm a incipiente caracterização do Natal dos Homens–de-Paz-e-Boa-Vontade, e saem de suas casas – que importa se apenas por um dia! – levando o agasalho e o pão se levanta, impossível de ser amordaçado, o gemido negado da Fome e do Esquecimento, estranhamento desafinando os hinos distraídos a repetir Glórias e Hosanas.
Assim, pois, soluções e soluções esperam ser encontradas!”

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